Nos legando a vergonhosa herança de ser o último país a abolir a escravização.
A ausência de projeto, a visão torpe, tacanha e mesquinha nos colocou à margem da Revolução Industrial e nos consolidou como um país exportador primário: primeiro do açúcar, depois do café, da borracha, entre outros.
A ausência de um enfrentamento entre o atraso e o progresso, e o massacre a todas as formas de insubordinação dos de baixo: Palmares, balaiada, canudos, malês, inconfidência mineira, entre muitas outras, criou um sólido vínculo entre as nascentes forças militares e as oligarquias agraristas. Vem daí o epíteto de “coronel” dado o poder de mando dos senhores que tinham poder de vida e de morte em seus territórios. É deste cenário que surge a ingerência das forças armadas todas as vezes que há contestação sólida ao status quo dominante. Fato inaugurado com a Proclamação da República em 1889 liderada por Deodoro da Fonseca, como uma resposta dos latifundiários à abolição da escravatura.
Séculos XX e XXI: o viralatismo das elites
O menosprezo pelo desenvolvimento do país atravessou os séculos. Incapazes de ousar, os “donos” do poder optaram pelo mais fácil: exportar sua produção e importar os bens produzidos no estrangeiro. O fortalecimento dos EUA pós 1ª guerra e após a Doutrina Monroe, derivou os olhos da burguesia brasileira para o “irmão do Norte”. Entrou com toda força no território brasileiro o American way of life. Trazido inicialmente pelos jornais e depois consolidado pelo cinema, as rádios e a televisão. Sem nenhum espírito de ousadia criativa, optou-se para a substituição de importações: trazendo para cá as multinacionais ao invés de investir na construção de parques industriais nacionais. A presença do capital estrangeiro no país sem contrapartida nacional levou a uma brutal remessa de lucros para o exterior e ampliou a dominação econômica dos EUA sobre a economia brasileira.
A 2ª guerra mundial e a decisão do governo brasileiro em aderir a luta contra o Eixo: Alemanha, Itália e Japão, depois de uma certa indecisão, permitiu que Vargas garantisse além do armamento, a construção, pelos EUA, da CSN, da FNM e da Álcalis. Foi a partir da guerra que as forças armadas brasileiras elegeram as forças norte-americanas como espelho. Já que até aquele momento eram francesas as formações militares por aqui.
O espírito nacionalista de Vargas preocupava os EUA, principalmente depois da criação da Petrobras como uma empresa estatal. Já que o petróleo vinha se tornando a principal commoditie do mundo. Foi aí que o viralatismo ampliou a sua presença já que foi uma batalha difícil não permitir a entrega da nossa empresa. O golpe de 1964, dez anos depois foi o coroamento dessa subordinação.
Atualmente, com a financeirização da economia, a associação entre o capital nacional e os fundos americanos fazem com que parte dos financistas daqui operem diretamente contra os interesses do país. Juntando-se isso com a subordinação extremo-direitista dos bolsonaros e seus asseclas, forma-se o caldo de cultura para que Marco Rúbio e seu chefe Donald Trump se arvorem em intervir política e economicamente nos rumos do Brasil.
Falta grandeza e vergonha na cara para grande parte da Faria Lima. Falta decoro e honestidade aos parlamentares e governantes estaduais que se subordinam a isso.
A altivez e a defesa da pátria passam longe deles.
É obvio que temos que repudiar a ingerência da Casa Branca sobre o processo eleitoral brasileiro. Mas, com toda a certeza, o maior inimigo do Brasil é a quinta-coluna. Derrotá-los é uma questão de honra.
Por Alberto Cantalice