Cheiro de armação: registro de Flávio Bolsonaro ao Missão tenta passar a mensagem de que o sistema eleitoral brasileiro é fraudulento

Cheiro de armação: registro de Flávio Bolsonaro ao Missão tenta passar a mensagem de que o sistema eleitoral brasileiro é fraudulento

Prenúncio de tentativa de instalação do caos

O jurista Marcelo Uchôa denunciou nesta quinta-feira (13) o que chamou de “cheiro de armação” do candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro após o senador da extrema direita não registrar a candidatura no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por ter aparecido como integrante do Missão e não do Partido Liberal (PL).

“O Flávio Bolsonaro aparecer nos registros do TSE como filiado ao Missão para não conseguir registrar a candidatura à presidência tem cara, jeito e cheiro de armação para dizer que o processo eleitoral brasileiro não é seguro e idôneo. Prenúncio de tentativa de instalação do caos”, escreveu o estudioso na rede social X.

O Partido Liberal protocolou no TSE um pedido de desfiliação do Missão. Presidente do Tribunal, o ministro Nunes Marques determinou o restabelecimento da filiação do senador ao PL.

O Tribunal informou que a filiação de Flávio Bolsonaro ao Missão não foi consequência de um hackeamento, mas sim de uso ilegal da ferramenta por alguém que tinha acesso as credenciais da sigla.

O Partido Liberal (PL) oficializou a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro no dia 25 de julho, durante a convenção nacional da sigla, em São Paulo.

O prazo para a realização das convenções terminou em 5 de agosto e para as trocas partidárias acabou no dia 4 de abril. O candidato pode mudar de partido se quiser, mas precisa abandonar a eleição.

Golpismo

O jurista Marcelo Uchôa alertou para a tentativa de golpe porque a família Bolsonaro esteve diretamente envolvida em ações golpistas nos últimos anos.

Em 21 de julho de 2026, Flávio Bolsonaro questionou a confiança do sistema eleitoral brasileiro durante encontro com diplomatas em Brasília (DF). Conforme o parlamentar, as urnas eletrônicas brasileiras teriam a mesma origem das urnas da empresa Smartmatic.

Na ocasião, o senador disse que, de acordo com um documento da CIA, a Smartmatic teria participado de um esquema de fraude do governo venezuelano nas eleições de 2012.

“Muitas dessas máquinas utilizadas nas eleições brasileiras são da mesma empresa. Há denúncia por parte do governo americano de suspeitas de fraudes em processo eleitoral eletrônico, em especial na Venezuela”, afirmou.

O TSE desmentiu que utilize urnas eletrônicas da empresa citada por Flávio Bolsonaro. “São falsas as mensagens que circulam nas redes sociais segundo as quais a empresa Smartmatic fornece urnas eletrônicas ou softwares utilizados em urnas no Brasil. Todo o projeto da urna eletrônica brasileira e do sistema eletrônico de votação foi concebido e é gerido inteiramente pela Justiça Eleitoral do país”, afirmou o tribunal, em nota.

Em setembro de 2025, ministros do Supremo Tribunal Federal condenaram Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos de prisão no inquérito da trama golpista. Outras 28 pessoas foram condenadas pelos magistrados da Corte.

Ministros do STF também determinaram a condenação de 1,4 mil pessoas na investigação sobre os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) invadiram a Praça dos Três Poderes, em Brasília.

Em novembro de 2022, o TSE multou o PL, partido da extrema direita brasileira, em R$ 22,9 milhões após a legenda questionar a confiança das urnas eletrônicas, informa o BR 247.

Apoio dos EUA

Além das ações golpistas, a família Bolsonaro conta com o apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano). Este ano, os EUA anunciaram dois tarifaços contra o Brasil: um de 25% e outro de 12,5%. A gestão trumpista também classificou o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas.

Os dois tarifaços e a classificação das facções brasileiras incentivam sanções contra o Brasil, que acionou a Lei da Reciprocidade contra o governo Trump. O motivo para as agressões dos EUA à soberania brasileira é a condenação de Bolsonaro na investigação do plano golpista.

Outra causa da polêmica iniciativa dos EUA contra o Brasil é a aproximação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com regiões que fazem frente à hegemonia estadunidense na economia internacional: China, BRICS e Sul Global.

O presidente Trump não só apoia a família Bolsonaro, como também foi envolvido em táticas golpistas. Em janeiro de 2021, quando o político da extrema direita estadunidense perdeu a eleição, vários apoiadores invadiram o Legislativo e acusaram o sistema eleitoral de fraude.

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