A greve geral com atividades ininterruptas de rua, é considerada a maior mobilização da história do país e conquistou a suspensão de duas reformas, provocou o pedido de renúncia de dois ministros e repercussão internacional.
A efervescência das ruas e a violência policial levaram à suspensão da Copa América no país, que acabou sendo realizada no Brasil. O governo de Iván Duque também terminou aceitando a entrada da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) para verificar as denúncias de brutalidade policial.
“A paralisação é o conjunto de muitas coisas, mas particularmente se tornou uma forma de encontrar respostas coletivas a problemas que os latifundiários, empresários, mafiosos nos geraram durante as últimas décadas”, afirma o defensor de direitos humanos de Facatativá, Yeisson Cajamarca.
Violência
Segundo levantamento de organizações de direitos humanos, desde o dia 28 de abril, foram registrados 75 homicídios, 4.285 casos de violência policial, mais de 300 desaparecidos e 81 vítimas de lesão ocular por disparos da polícia e de paramilitares.
A Colômbia tem uma ditadura civil com uma polícia que atua como uma força militar. Os paramilitares convivem com os colombianos e o governo é conivente.
Foram registrados sequestros de jovens e práticas brutais, como decapitação e esquartejamento, assassinatos, violência sexual e desaparecidos.
Na última semana, foi encontrada a cabeça de Santiago Ochoa, que havia sido dado como desaparecido durante as atividades da paralisação nacional em Cali. O adolescente foi decapitado e seus restos mortais encontrados no município de Tuluá, Valle del Cauca.
Conquistas
Mesmo com toda a repressão, a população manteve a paralisação e as manifestações e o controle das ruas, que eles entendem como o caminho para buscar um novo futuro.
Eleições
Como no Brasil, a Colômbia tem um candidato de Esquerda, Gustavo Petro, ex-prefeito de Bogotá e ex-candidato à presidência em 2018. Pela Direita tradicional, Sérgio Fajardo, que se apresenta como terceira via e tenta se desvicular tanto do partido do atual presidente quanto do ex-presidente Álvaro Uribe. Alejandro Gaviria, reitor da Universidade dos Andes e ministro de Saúde na gestão de Juan Manuel Santos (2014 – 2018), é a terceira opção.
Nesta terça-feira (29), os manifestantes derrubaram a estátua de Cristóvão Colombo, na cidade de Barranquilla. Os manifestantes protestaram no entorno do monumento, entoando “Colombo assassino” e escrevendo “pelo nossos mortos”, aludindo ao número de vítimas após as repressões policiais em diversas manifestações na Colômbia. Ainda de acordo com o periódico, após derrubarem a estátua, o monumento foi arrastado pelas ruas da cidade, acompanhando a marcha dos manifestantes.
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