Oposição exige que presidente eleito da Colômbia renuncie à cidadania estadunidense

Oposição exige que presidente eleito da Colômbia renuncie à cidadania estadunidense

Iván Cepeda, ex-candidato presidencial da Colômbia e líder da oposição de esquerda, afirmou nesta terça-feira (30) que poderá recorrer à “desobediência civil pacífica” caso o presidente eleito Abelardo de la Espriella tome posse sem renunciar à cidadania estadunidense e sem esclarecer se manteve vínculo com agências de segurança dos Estados Unidos.

A declaração foi feita em comunicado e em vídeo publicado nas redes sociais. Cepeda disse que De la Espriella “não deveria tomar posse como presidente da República” enquanto não esclarecer o conjunto de situações levantadas pela oposição. Segundo ele, uma eventual posse nessas condições estaria “viciada” por ser “ilegal e ilegítima”.

Segundo o DCM, Cepeda apresentou quatro exigências: que De la Espriella renuncie à nacionalidade dos Estados Unidos e esclareça se é ou foi colaborador de agências estadunidenses; que respeite a segurança nacional e a soberania judicial da Colômbia; que cesse qualquer perseguição contra o presidente Gustavo Petro e desista de eventual tentativa de extraditá-lo; e que pare de estimular a judicialização de opositores políticos por parte do Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

O líder opositor sustenta que a dupla cidadania de De la Espriella pode criar conflito de lealdade no exercício da Presidência. Em seu comunicado, Cepeda afirmou que, para obter a cidadania dos Estados Unidos, o presidente eleito prestou juramento de nacionalização naquele país, o que, segundo ele, traria obrigações incompatíveis com a condição de chefe de Estado colombiano. De la Espriella nasceu na Colômbia e obteve cidadania estadunidense na vida adulta.

Cepeda também pediu que autoridades dos Estados Unidos esclareçam se De la Espriella foi ou é “agente ou colaborador” da DEA, da CIA ou de qualquer outra agência de segurança estadunidense. A cobrança aparece em meio a acusações feitas pelo opositor sobre supostos vínculos do presidente eleito com figuras investigadas ou processadas, incluindo Alex Saab. As alegações são tratadas por Cepeda como pontos que precisam ser apurados.

A ameaça de desobediência civil ocorre dias depois de Cepeda reconhecer a vitória de De la Espriella na eleição presidencial colombiana. O candidato de direita venceu por margem estreita, e Cepeda afirmou na semana passada que aceitaria o resultado do escrutínio, embora tenha dito que faria uma oposição “democrática, vigilante e construtiva”.

No novo comunicado, porém, Cepeda elevou o tom e convocou seus eleitores a não reconhecerem, de forma pacífica, ordens de uma autoridade que, na avaliação dele, não responda à defesa da soberania nacional. “Quando a lei, as instituições ou a autoridade entram em conflito com a consciência moral, o cidadão não apenas tem o direito, mas também o dever de resistir pacificamente”, afirmou.

A posse de De la Espriella está prevista para 7 de agosto. Até lá, a oposição deve concentrar a pressão no tema da soberania colombiana e na relação do novo governo com os Estados Unidos, especialmente após o apoio público de Donald Trump ao presidente eleito durante a campanha.

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