Recado a uma professora bolsonarista
No último sábado, dia 19/06, o município de Cruzeiro do Sul, para surpresa de alguns e felicidade de outros ( dentre eles está incluída a minha pessoa), realizou ato em defesa da vida, da imunização da população, em defesa do SUS, “vacina no braço, pão, comida no prato “ e contra o desmonte da rede pública federal de ensino no Acre, representada pela UFAC e o IFAC, levada a efeito pelo governo da morte.
Disse a tal professora que, aliás ocupa um cargo na gestão da educação pública estadual: “falta do que fazer, vergonha”!
De fato, minha senhora, muita falta do que fazer de sua parte e vergonha mesmo deve ficar para quem estudou em universidade pública, teve o direito à educação pública estatal e, depois de anos de formada e inserida no sistema público de ensino, se mostra tão alheia e incapaz de exercer criticamente o papel que se espera de uma professora esclarecida frente a tudo que esse país tem vivido em tempos de negacionismo bolsonarista.
Pena que compreensões tíbias como as suas não são exclusividades suas entre os profissionais da educação!
Vergonha mesmo e revolta fazem os mais de quinhentos mil mortos nesse país cujos óbitos não podem deixar de ser computados como um dos grandes feitos de uma gestão incompetente, desequilibrada, desastrosa, odiosa e sem direção frente ao agravamento da crise sanitária e, em decorrência dela, a degradação da vida humana, o desemprego, a fome e a ampliação das desigualdades sociais !
Não satisfeita, em sua sanha bolsonarista, no afã de agradar a quem, sequer saberá de sua existência, a obtusa criatura segue e sai com outra pérola publicada em rede social e repercutida em um blog local de notícias: “ Alguns desses aí passaram o ano ganhando dinheiro sem trabalhar e ainda continuam, e o Bolsonaro com o salário deles em dia “.
Lamento professora, trabalhando a gente recebe, na melhor das hipóteses, o nosso salário. Nunca em um país capitalista trabalhador ganhou dinheiro, a menos que a senhora tenha uma receita para tanto.
No mais lhe faço uma advertência e lhe sugiro não formular juízo de valor sobre aquilo que a senhora desconhece, pois nós professores universitários não ficamos um ano sem trabalhar! Aliás, presumo que a senhora não esteja a se referir aos trabalhadores da educação básica em Cruzeiro do Sul, município no qual representas a Secretaria de Estado de Educação/ SEE- AC, o que seria um atestado público de sua incompetência como gestora pública, não achas ?
Para concluir, pois acho que a senhora também pecou por desconhecimento, vai aqui minha última ressalva e tentativa de ajuda na sua torpe formulação: os salários dos servidores públicos federais não nos é pago pelo presidente bolsonaro (escrito em minúsculo mesmo)! Como cidadãos e cidadãs, somos pagadores de impostos, não sonegamos, além de termos contribuições previdenciárias compulsórias deduzidas de nossos proventos, inclusive desconto de imposto de renda direto da fonte! Portanto, somos servidores do estado brasileiro, pagamos ao Estado e recebemos, sob forma de vencimentos, os nossos salários e, definitivamente, não ganhamos dinheiro.
Vergonha do meu ofício e dos meus colegas de profissão eu tenho quando vejo manifestações de natureza análogas às suas. No mais, fica valendo aquela velha máxima que assim estabelece : “quem diz o que quer, ouve também o que não quer”! E tenho dito .
O recado foi publicado na página do professor no Facebook.
Mark Clark é Professor Doutor em Educação e professor titular da Ufac.
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