Apesar de ser um dos menos extensos ramais, estendendo-se por apenas 8 Km, o Ramal do Lomada tem 40 famílias de produtores rurais, cuja produção abrange farinha de mandioca, banana, milho, hortaliças e a criação de pequenos animais.É da venda da produção às cooperativas e feiras de Tarauacá, que sobrevivem.
Tarauacá fica a 40 km de distância do local. Entretanto, há 6 anos o ramal não recebe melhorias e está fechado impedindo o escoamento da produção. Os produtores não conseguem vender e consequentemente não conseguem pagar as dívidas com o banco o que impede novos empréstimos.
O delegado sindical e líder da comunidade, Zequinha, procurou a prefeita Néia Sérgio (PDT), que o enviou para o Secretário Municipal de Obras, onde foi informado que as máquinas estavam trabalhando entre Tarauacá e Feijó e que assim que concluíssem iriam para o Ramal do Lomada. Na segunda vez em que procurou o Secretário, obteve como resposta que na próxima semana as máquinas chegariam. Mas na terceira vez a conversa mudou e a resposta foi que a parte do trabalho nos ramais entre Tarauacá e Cruzeiro do Sul não estava sob a responsabilidade da Secretaria.
Zequinha tentou conversar com o chefe local do Deracre mas não conseguiu. A informação que obteve foi que todas as máquinas do Deracre foram entregues para a prefeitura atendendo a uma exigência do deputado Jesus Sérgio, esposo da prefeita.
As dificuldades das 40 famílias de produtores vão além. Eles precisam de energia elétrica, mas a empresa só pode colocar os postes se houver ramal trafegável. Nas condições em que está nem ações de saúde itinerante a comunidade recebe. Recentemente tiveram que se deslocar até outra comunidade onde estavam sendo realizados serviços de saúde: “Levantamos as três horas da manhã e fomos. Às três da tarde nenhum de nós tinha sido atendido e as crianças estavam chorando de fome e de sede. Fui atrás da prefeita que acompanhava o serviço e ela me deixou mais de uma hora esperando. No final arrumou uma farofa de salsicha para as crianças”.
Segundo os moradores, o poder público municipal não lhes deixa outra opção além de fechar a BR entre Cruzeiro do Sul e Tarauacá para tentar chamar a atenção do governo do estado.
Durante a campanha eleitoral, Néia Sergio percorreu o ramal do Lomada a pé, dizendo que queria conhecer a realidade dos pobres porque Jesus Cristo havia lhe dado a missão de ajudá-los: “Chegou com uma Bíblia debaixo do braço, fez churrasco, prometeu até asfalto…depois de eleita, nunca mais apareceu, enganou.”, conta Zequinha.
Esses são alguns dos motivos que levaram a população de Tarauacá a incluir a prefeita e o governador Gladson Cameli (PP), nos protestos contra Bolsonaro realizados no dia 7 de setembro.
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