
O governador Gladson Cameli (PP), anunciou que vai participar da Cop 26, Conferência do Clima, a ser realizada em Glasgow, Escócia, de 01 a 12 de novembro, durante a qual 200 países deverão apresentar seus planos de corte de emissões até 2030.
De acordo com a ONU, até o fim do Século 21 poderá ocorrer um aquecimento global acima de 1,5 ° C e 2 ° C, a menos que haja reduções profundas nas emissões de CO2 e outros gases de efeito estufa nas próximas décadas.
Os planos que serão apresentados são de países, não de estados, mesmo assim o governador declarou à imprensa local que “irá procurar fazer uma espécie de prestação de contas quanto ao que vem desenvolvendo no estado a nível de produção e sustentabilidade”.
O jornalista Léo Rosas pontua que “Cameli ficará a quilômetros dos grandes líderes. Ele e a sua assessoria terão que construir agendas paralelas, caso realmente tenham interesse no evento”. O governador do Acre possivelmente não terá oportunidade de se manifestar, afinal estará entre as 25 mil pessoas que são esperadas em Glasgow, incluindo líderes mundiais, negociadores e milhares de ativistas e empresas que vão participar de eventos e realizar protestos. O grupo Extinction Rebellion, por exemplo, está exigindo o fim imediato do uso de combustíveis fósseis.
Mesmo assim, Gladson vai a Cop 26, com diárias de R$ 32 mil, para ele e para a segurança que o acompanha na viagem.
Segundo o jornalista Alemão Monteiro, do site 3 de Julho, a comitiva do governador do Acre será formada por 32 pessoas. As diárias não deverão ser muito inferiores às do governador e seus seguranças (32 mil e 800). Contabilizando diárias e passagens, chega-se fácil a R$ 1 milhão, ou mais.
Alemão questiona o valor e o fato das diárias terem sido pagas antes da viagem quando pacientes do TFD viajam sem auxílio. Veja Aqui
Nesta segunda-feira (25) o Acreinfoco publicou matéria que mostra as dificuldades de pacientes com câncer sem medicamento ou fazendo cota para realizar radioterapia e quimioterapia em Porto Velho, entre outras situações de luta pela vida sem o apoio do poder público. Veja Aqui
O governador afirmou que sua prioridade é o “agronegócio sustentável”, mas até agora, na reta final do terceiro ano do mandato não apresentou um só projeto na área ambiental. Segundo os pequenos produtores rurais do Acre, até hoje não viram assistência técnica e a regularização fundiária é precária. E sem isso não tem acesso a crédito. A situação dos ramais é precária. A maioria dos pequenos produtores não consegue escoar a produção: “o agronegócio que sobrevive é o dos grandes e eles não precisam do Estado, pois têm dinheiro para comprar máquinas e equipamentos. Os pequenos não. Por isso andamos errados, não temos alternativa- ou desmatamos e queimamos ou passamos fome”, afirma o produtor que informa ainda como exemplo do apoio aos grandes, que os silos de armazenamento construídos nos governos do PT, foram alugados com exclusividade para os grandes produtores pelo preço simbólico de um salário mínimo por mês, cada um.
Em maio de 2019, em seu primeiro ano de governo, Gladson Cameli orientou os produtores a não pagarem multas emitidas pelo Imac: “Quem for da zona rural e o Imac tiver multando alguém, me avise, porque não vou permitir que venham prejudicar quem quer trabalhar. Me avise e não pague nenhuma multa, porque quem tá mandando agora sou eu”. Veja Aqui
Quatro meses depois dessa declaração, em setembro de 2019, o deputado Jenilson Leite (PSB), denunciou que mais de 40 produtores rurais de Tarauacá haviam sido multados por queimadas, a menor multa era de 45 mil.
Cerca de um mês atrás, o deputado Alan Rick(DEM), em conversa com pequenos produtores da Reserva Extrativista do Cazumbá-Iracema, no Rio Caeté, em Sena Madureira,recebeu denúncias de multas ambientais que recebem do Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac) por desmatamento. Os valores chegam até R$ 90 mil por morador. Veja Aqui
Em sua declaração à imprensa local sobre a Cop 26, o governador Gladson Cameli disse que vai apresentar “resultados e esforços pela implementação de políticas socioeconômicas e ambientais pautadas no agronegócio de baixas emissões, que tem gerado oportunidades para milhares de pequenos produtores, extrativistas, ribeirinhos e indígenas…”.
Foto Metropoles
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