Embora mantenha o discurso de que a comunidade internacional amplie o auxílio militar enviado a Kiev, bem como as sanções contra a Rússia, Zelenski afirmou nesta sexta-feira (27) que seu país precisa encarar a realidade e debater com Vladimir Putin os cenários possíveis para o fim da guerra.
“Há coisas para discutir com o líder russo. Não estou dizendo que o nosso povo e eu estamos ansiosos para falar com ele, mas temos que enfrentar a realidade do que estamos vivendo”, disse o ucraniano durante um discurso feito a um think tank da Indonésia.
Autoridades russas acusam a Ucrânia de má vontade nos diálogos para o fim do conflito. A crítica foi reiterada pelo porta-voz do Kremlin. “A liderança ucraniana constantemente faz declarações contraditórias. Isso não nos permite entender completamente o que o lado ucraniano quer”, disse Dmitri Peskov.
O último encontro presencial entre as duas delegações para uma negociação de paz ocorreu há quase dois meses, em 29 de março, quando nem sequer houve aperto de mãos os representantes. Houve reuniões virtuais, mas que não chegaram a nenhum avanço concreto, e não há indícios de que a guerra esteja próxima do seu final.
No campo diplomático, o chanceler da Rússia, Serguei Lavrov, reagiu com vigor à possibilidade de que o Ocidente doe armas à Ucrânia que possam atingir diretamente o território russo –para ele, um “passo sério em direção a uma escalada inaceitável”. Disse ainda que os países ocidentais declararam “guerra total à Rússia e ao mundo russo”, voltando a criticar o cancelamento da cultura de seu país.
Embora não tenha mencionado nenhum envio de armas específico, Lavrov pode estar se referindo aos relatos de autoridades dos EUA que dizem que o governo de Joe Biden considera fornecer a Kiev o M142 HIMARS (sigla em inglês para sistema de artilharia de foguetes de alta mobilidade).
O armamento é capaz de atingir alvos a centenas de quilômetros. Washington se absteve até agora de fornecer equipamentos como o M142 temendo justamente que sejam utilizados para atacar alvos no interior da Rússia e provocar um agravamento do conflito.
Via: Noticiaaominuto
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