Se estava ruim com Boris Johson, pior ficará com Liz Truss, alertam os britânicos. Truss declarou categoricamente sua disposição de usar armas nucleares conforme necessário, mesmo que isso signifique a aniquilação global.
Mary Elizabeth Truss é a nova primeira-ministra do Reino Unido. Ela bateu seu rival Rishi Sunak em eleição na qual votaram os cerca de 160 mil membros do Partido Conservador, que tem maioria no Parlamento. Ela será a terceira mulher a comandar o Reino Unido. Antes dela, passaram pelo posto Theresa May (2016-2019) e Margaret Thatcher (1979-1990).
Aos 47 anos, Truss inicia seu governo às vésperas da “catástrofe de inverno”, que é como os britânicos estão chamando as consequências da crise de energia ocasionada pela Guerra da Ucrânia. Espera-se que as contas de luz que custavam uma média anual de £ 2.000 (R$ 12 mil) pulem para £ 3.600 (R$ 21,5 mil). O aumento de 80%, aliado à inflação, pode causar mortes e sofrimento no segundo semestre, com famílias sendo obrigadas a escolher entre cozinhar ou aquecer a casa, em temperaturas médias entre 4°C e 9°C.
Na teoria, Truss foi eleita como nova líder do partido e, na prática, para comandar o Reino Unido em um momento de grave crise econômica. Inflação, preço da energia e apoio a Zelensky dominam os protestos.

O cartaz no centro de Londres critica: “você passará frio neste inverno porque Zelensky precisa mais”.
Um novo aumento de 80% no preço da energia no Reino Unido está previsto para outubro. Em abril já tinha aumentado 54% o que provocou dificuldades. 7 em cada 10 bares na Inglaterra podem fechar devido a preços de energia. Em todo o Reino Unido um movimento convoca a população da dar calote e não pagar as contas de energia. Na Escócia a população aderiu em massa e queima as faturas de eletricidade não pagas, nas ruas.

Antes de se tornar primeira-ministra, Liz Truss, como é comumente conhecida, passou por diversos cargos no governo de seus colegas conservadores. Com Boris Johnson (2019-2022) foi secretária do Comércio Internacional e, desde o ano passado, atuava como secretária das Relações Exteriores.
Com Theresa May (2016-2019), chefiou as pastas da Justiça e do Tesouro. Já com David Cameron (2010-2016), estava à frente do Ambiente. Nesse último cargo, Truss contrastou com seu antecessor ao dizer que acreditava na mudança climática sobre a qual os cientistas alertam e também que a humanidade estava contribuindo para o aquecimento.
Truss foi severamente criticada durante a recente campanha por não se aprofundar sobre o tema, dizendo vagamente que não acreditava em fazer doações -em referência à possibilidade de o governo oferecer benefícios em assistência às famílias. Membros de seu próprio partido vieram a público para criticá-la.
Em junho, a atual inflação do Reino Unido ultrapassou a média anual de 10% pela primeira vez desde 1982, quando os países eram governados pela também conservadora Margaret Thatcher (1979-1990). Sempre comparada à antiga primeira-ministra, Truss já rebateu as comparações. “Margaret Thatcher foi há muito tempo. Temos novas batalhas para vencer. Minha filosofia pessoal é dar às pessoas a oportunidade de tomarem suas próprias decisões.”
Outra cobrança feita a Truss foi a mudança de posição em relação ao brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia, oficializada por Boris em janeiro de 2020. Quando as pesquisas indicavam apoio da população à manutenção do Reino Unido no bloco, ela atuou a favor disso, mas mudou de ideia justamente quando as pesquisas tenderam à saída.
Liz Truss é crítica aos movimentos de protestos sobre questões identitárias e muito popular nas bases do Partido Conservador. Sua linha dura sobre a invasão da Ucrânia ou suas ameaças de romper o acordo da UE sobre a Irlanda do Norte atraem alguns conservadores.
A deputada foi escolhida pelos membros do Partido Conservador, que votaram em todo o Reino Unido. Ela disputou a vaga com o ex-ministro das Finanças Rishi Sunak.
Com informações de AFP e BBC
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