Adolescentes gaúchos que chocaram o país por ataques racistas são investigados pelo MP

Adolescentes gaúchos que chocaram o país por ataques racistas são investigados pelo MP

Em live, alunos do Colégio Israelita de Porto Alegre ofenderam nordestinos e debocharam de quem ganha auxílio emergencial. Assim que o vídeo foi publicado, gerou uma onda de protestos nas redes sociais pedindo a expulsão dos adolescentes. O vídeo gravado nas dependências do colégio e postado no TikTok, já foi apagado. Dois trechos de alguns minutos, porém, foram gravados e acabaram viralizando.

Na live realizada após a eleição de domingo (30), três alunos debocham da escolha do eleitorado pelo ex-presidente Lula (PT) e agridem verbalmente a população nordestina. Num trecho, um dos estudantes chega a dizer que “todos os nordestinos deveriam tomar no c*”.

Uma das protagonistas do vídeo, loira e de olhos azuis, desdenha quando recebe uma mensagem alertando sobre os riscos que corria devido às suas opiniões.

“Tá, então, que gravem, não vai mudar nada na minha vida. Vai levar o quê, para um tribunal? O juiz que vai atender o caso é da minha família”, diz a estudante, às gargalhadas. A mesma aluna também responde de forma ofensiva a uma mulher que a lembra da derrota de Bolsonaro. “Eu já aceitei [a derrota de Bolsonaro], não vai mudar nada na minha vida, sua pobre, sua vagabunda. E outra coisa: não vai reclamar depois que for demitida, tá bom? Não vem reclamar depois que meu pai te demitir, tá bom, fofinha?”, ofende a aluna.

Os estudantes ainda riem de crianças nordestinas beneficiadas por políticas públicas de abastecimento de água, atribuídas enganosamente ao presidente Jair Bolsonaro (PL), e debocham de quem usa transporte público, dizendo nem saber o que é um ônibus.

Também desdenham do auxílio de R$ 600, que garantiu alimento a muitas famílias durante a pandemia de covid. A outra aluna diz que, no supermercado que frequenta, compra apenas “um sorvete Baccio di Late [marca italiana] e um rolo de papel higiênico de folha dupla” com o valor.

“Tá ligado, então? A gente faz uma festa assim e já deu 600 pila”, diz o adolescente do grupo. A amiga responde: “a gente limpa o c* com 600 reais”

A direção do Colégio publicou uma nota em que torna público seu “firme repúdio” às manifestações discriminatórias e preconceituosas praticadas por alunos da instituição.

O Grêmio Estudantil Albert Einstein, do Colégio Israelita, também repudiou o vídeo. “A história do povo judeu é marcada pela luta contra a discriminação, sempre a favor da inclusão e abrangência de pensamentos sociais”, diz em nota.

Não foi o único caso de intolerância registrado em escolas particulares de Porto Alegre depois das eleições. No Colégio Farroupilha, frequentado pela elite econômica da cidade, alunas bolsistas da instituição foram hostilizadas por colegas depois de declararem voto em Lula.

Em mensagens privadas, alunos chamam as bolsistas de “fedidas”, “nojentas”, “mocreias” e também as ofendem com palavrões. As ofensas foram disparadas em um grupo de mensagens criado pelos alunos, sem vínculo com a escola. As alunas ofendidas, que são negras, registraram BO.

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