1-PCdoB x PCdoB
O PCdoB de Tarauacá vive uma situação inusitada, evidenciada pela disputa pela presidência do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR), local. Os candidatos nas duas únicas chapas adversárias são filiados ao partido. O que significa que o PCdoB concorre contra o PCdoB. Mas as semelhanças param por aí. Enquanto Sandro Falcão (PCdoB) tem o apoio da prefeita Néia Sérgio (PDT). Seu adversário Fernando Alves Feitosa (PCdoB), evita qualquer aproximação com a prefeita. A eleição está marcada para 26 de março e o deputado Edvaldo Magalhães tem esperança de até lá conseguir a unificação das chapas. Mas apaziguar os concorrentes esbarra na prefeita. Bolsonarista convicta, Maria Lucinéia é considerada um espinho bolsonarista fincado no pé dos trabalhadores. Ela é daquelas de orar pelo ex-presidente, o que conflita com a ideologia do partido. Além disso alegam que Néia nada fez pelo trabalhador rural. Por outro lado, a unificação, resultaria em uma eleição com chapa única. Entretanto, o próprio Edvaldo reconhece que é possível surgir outro movimento.
2- Justificável
A ausência da maioria dos deputados na Assembleia Legislativa nesta quinta-feira (23), se justifica. Metade dos parlamentares é de outras cidades ou têm lá suas bases eleitorais. Passaram o feriado de carnaval nesses lugares. Seria caro e improdutivo se deslocarem para a capital para realizar apenas uma sessão e em seguida retornar aos seus municípios de origem para voltarem na terça-feira (28). A crítica é salutar desde que devidamente embasada, caso contrário beira a irresponsabilidade. Além disso pelo que se pode observar nas primeiras sessões, a atual legislatura promete ser mais interessante que a anterior apesar da imensa base de sustentação do governo. Até agora, os novos deputados tem demonstrado boas propostas e bom uso da tribuna.
3-Ironia
A Starlink, internet via satélite de Elon Musk estava sendo comercializada em grupos de garimpeiros ilegais que atuavam na terra do povo indígena Yanomami. A internet de Mr Musk mantém o serviço sem dificuldades mesmo em áreas remotas. No WhatsApp, a antena da Starlink era vendida por quase 10 mil reais, em torno de quatro vezes o preço divulgado no site da empresa. Após a aquisição da antena o proprietário pagava uma mensalidade de 2,5 mil. O equivalente a dez vezes mais do que o plano básico da empresa. Os altos preços eram pagos por garimpeiros que extraíam ilegalmente ouro e cassiterita da terra indígena Yanomami. Em julho de 2022, o então presidente Jair Bolsonaro (PL) fez uma recepção para Musk que custou mais de 136 mil reais, segundo o Ministério das Comunicações. A assessoria do então presidente divulgou que o projeto dos dois era para levar internet para escolas na zona rural do país e para monitorar a Amazônia. O monitoramento teria por objetivo evitar os crimes ambientais incluindo o desmatamento, mas não foi suficiente para evitar a ampliação do desmatamento total de cerca de 5 mil hectares da terra Yanomami. O número de garimpeiros atuando na área (25 mil), foi quase igual ao de Yanomamis residentes (28 mil). A atividade ilegal contaminou os rios com mercúrio e provocou a morte de animais e humanos, mas Mr Musk faturou bem.
4-Armas
A chacina de 7 pessoas em Sinop (MT) reabriu a discussão sobre as consequências de se ter uma população armada. Os ataques a tiros que antes só se via nos Estados Unidos, país com maior número de armas em posse dos habitantes, passou a ser registrado também no Brasil após a flexibilização para a aquisição de armas de fogo. O crime que ficou conhecido como a chacina de Sinop é prova disso. Os criminosos executaram 7 pessoas após uma derrota em jogo de sinuca. Os assassinatos foram efetuados durante a tarde de terça-feira (21) em um bar. Uma das vítimas, Larissa Frazão de Almeida, de apenas 12 anos foi morta ao ser atingida por um tiro nas costas enquanto tentava fugir. A menina estava com o pai que também foi assassinado. Um estudo da ONG Small Arms Survey, aponta para a existência de 14,84 milhões de armas de fogo legais, em posse de civis no país. Não é necessário um exaustivo exercício mental para projetar o risco de repetição de fatos como o ocorrido no Mato Grosso.
5- …sem controle
A pesquisa da Small Arms mostra que 70% das armas no mundo estão em poder de civis. Nos EUA, são 270 milhões de armas de fogo nas mãos de civis. Não por acaso, o país registrou mais de 300 tiroteios em massa em 2022. No Brasil, são 14,84 milhões de armas legalizadas em posse de civis. O número de pessoas com certificado de registro de armas de fogo cresceu 474% durante o governo Bolsonaro. Número que pode dobrar se forem acrescidas as ilegais. Edgar, um dos criminosos envolvidos na chacina de Sinop, tinha registro de CAC (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador) e cadastro em um clube de tiro. O assassino postava vídeos nas redes sociais nos quais aparecia atirando. A Revista Fórum publicou uma matéria sobre os 7 senadores e 16 deputados federais eleitos ou reeleitos em 2022 que teriam sido apoiados pelo Proarmas, grupo que faz lobby pela indústria armamentista. Entre eles estão o senador Alan Rick e o deputado federal Coronel Ulysses, ambos do União Brasil.
6- Para refletir
Eutanásia não te obriga a morrer. Aborto não obriga a abortar. Divórcio não obriga a divorciar. Casamento homossexual não obriga a casar com alguém do mesmo sexo. Direitos não obrigam a nada, a não ser a respeitar os direitos alheios.
7-Facinho, facinho
Muita gente, pelo menos em Rio Branco, acha que é perda de tempo e dinheiro, disputar o Senado em 2026. Para esta parcela da população as duas vagas já estão definidas. Uma seria do governador Gladson Cameli (PP) e a segunda vaga seria do ex-governador Jorge Viana (PT). Em que pese a grande possibilidade, é preciso refletir que em quatro anos muita coisa pode acontecer e até novas lideranças apontarem no caminho. Gladson Cameli é herdeiro de si mesmo. O povo gosta dele. Vota nele. Jorge Viana também já foi assim e é o herdeiro natural das conquistas do governo Lula. Certamente, fortíssimos favoritos, mas a vida é cheia de surpresas.
8- Cadeira da Soberba
Existe um cadeira do governo que vem sendo chamada de Cadeira da Soberba. O apelido foi dado porque o cidadão ao ser indicado para ela, se transforma. Sobe nas tamancas. O mais novo ocupante, quando procurado pelos que o auxiliaram na campanha, vai logo informando que não está no cargo por indicação política, que foi uma escolha pessoal do governador e atribui essa escolha a seus próprios méritos. O anterior mantinha a mesma arrogância. Ambos, mal chegaram na pasta, engrossaram o pescoço. O ex está na rua da Amargura e o atual vai pelo mesmo caminho. E pior, vai com o peso da revolta dos ex-apoiadores que anunciam que eleição e dor-de-barriga não dão uma vez só. O governador Gladson Cameli poderia mandar benzer o local. E não me apertem que eu dou nome, sobrenome, CPF e telefone.
9-Para poucos
A previsão de dotação do Fundo Partidário para este ano é de R$ 1.185.493.562,00 para ser distribuído entre os partidos que obtiveram pelo menos 2% dos votos válidos nas eleições de 2022 com no mínimo 1% da votação em nove estados ou, ainda, que conseguiram garantir a eleição de ao menos 11 deputados federais distribuídos em nove estados. Nesta peneira do TSE, só passaram as Federações: FE Brasil que juntou o PT/PCdoB/PV; a Federação PSDB/Cidadania; a PSOL/Rede, e os partidos: Avante, MDB, PDT, PL, Podemos, Progressistas, PSB, PSD, Republicanos e União Brasil. As outras 15 agremiações, ora designadas “primas pobres”, não receberão nada do Fundo Partidário a partir de fevereiro. A saída para estes será apelarem para fusões e incorporações ou constituir federações com outros partidos que tiveram melhor resultado nas urnas.
10-Fundo
O Fundo Partidário é repassado mensalmente aos partidos em forma de duodécimos para o custeio de despesas como o pagamento de salários de funcionários, contas de água e luz, passagens aéreas, aluguéis, entre outras. Dos 24 partidos que receberam até 2022, apenas 13, os que atingiram a cláusula de desempenho, permanecem recebendo em 2023.
Bom dia deputado Fagner Calegário. Por acaso foi vossa Excelência que andou pedindo votos em Feijó com a promessa de resolver o problema dos terceirizados do município? Pergunto porque a trabalhadora que tratou disso em entrevista com o jornalista Itaan Arruda, disse apenas que era um deputado de “nome estranho”, que recebeu os votos e não fez nada. Mas a dúvida é mesmo só em relação ao “nome estranho”, porque o resto pode ser aplicado a vários.
