O Festival Atsa Puyanawa é conhecido por atrair turistas de diversos lugares do mundo devido à hospitalidade do Povo do Sapo, como são conhecidos os Puyanawa
O público presente na abertura do evento pôde conhecer um pouco mais sobre a história dos Puyanawa, com apresentações de danças e cânticos que reverenciam à atsa, que é a mandioca. É dela que provém a principal fonte de renda da comunidade, garantindo a independência econômica do povo Puyanawa.
As crianças puxaram as apresentações junto com os adultos, mostrando tudo o que a culinária permite fazer a partir da mandioca, como mingau, suco, goma, sorvete e a própria farinha.
“Nossas danças e cânticos apresentados aqui, hoje, são para mostrar as fases do plantio, colheita e produção de alimentos a base de mandioca. Aqui na nossa Terra Indígena temos várias casas de farinha que abastecem parte do município de Mâncio Lima com a farinha que produzimos”, explica o cacique Joel Puyanawa.
A sexta edição de seu festival, que teve início nesta quinta-feira, 18, com cânticos, danças e rituais que celebram o criador e a natureza. O evento segue até o próximo dia 22, com uma programação voltada para a conexão do homem com a floresta, que vai desde o banho no igarapé com medicina nas águas para a limpeza do corpo à caminhada na trilha da Floresta Puyanawa.
O Festival Atsa Puyanawa recebe apoio do governo do Estado, representado pelas Secretarias de Povos Indígenas (Sepi) e de Empreendedorismo e Turismo (Sete), durante a abertura. Para a titular da Sepi, Francisca Arara, fortalecer a cultura, a linguagem, a culinária e, principalmente, a economia dos povos indígenas, são os maiores objetivos dos festivais realizados atualmente no estado.
Em sua sexta edição, o Festival Atsa Puyanawa também recebe visitantes da Espanha, dos Estados Unidos e da Grécia. O grego Ioannis Oyahanos disse que o mundo inteiro deveria conhecer o modo de vida e a consciência dos indígenas. Para ele, os povos indígenas são detentores da maior sabedoria popular. “Existe uma riqueza aqui, que está muito mais ligada ao modo de vida dos indígenas, conectado diretamente com a natureza, do que qualquer descoberta nova científica. Conheço pessoas que foram curadas com a medicina Ayahuasca e receberam uma nova oportunidade de vida”, completou.
O turista belga Laurent Van Eesbeeck conta que esta é a segunda vez que visita a terra indígena localizada no município de Mâncio Lima. Há cinco anos veio para conhecer a medicina Ayahuasca, mas retornou por outro motivo. “A maior riqueza que pude encontrar aqui na comunidade foi o convívio social. De onde eu venho, as pessoas sequer conhecem seus vizinhos, mas aqui, desde a primeira visita, me senti parte dessa grande família que ao me dizer ‘bem vindo’, me fez sentir bem vindo de verdade e querer retornar mais vezes”, disse o visitante.
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