Policiais do Amazonas ligados a associação criminosa são alvos de operação do MP

Policiais do Amazonas ligados a associação criminosa são alvos de operação do MP

A operação cumpriu mandados de busca, apreensão e prisão, além de medidas assecuratórias, bloqueando valores superiores a R$ 1 milhão para reparação de danos aos lesados, incluindo o próprio Estado do Amazonas

O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), por meio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), realizou nesta quarta-feira (13/11/2024) a Operação Joeira, que teve como alvo uma organização criminosa composta por policiais militares, um policial civil e civis, investigados por diversos crimes cometidos em cidades do interior do estado, como Manaus e Boca do Acre.

A operação cumpriu mandados de busca, apreensão e prisão, além de outras medidas, bloqueando valores superiores a R$ 1 milhão para reparação de danos aos lesados, incluindo o próprio Estado do Amazonas. As investigações revelaram indícios de crimes como associação criminosa, furto qualificado, falsidade ideológica, peculato e corrupção passiva. As acusações indicam que agentes públicos usavam suas funções para obter vantagens ilícitas e desviar recursos públicos, explorando a estrutura estatal para fins particulares.

Entre os principais suspeitos está um oficial intermediário da Polícia Militar de Boca do Acre, além de outros membros do efetivo, acusados de práticas como o recebimento de “rachadinhas”, mecanismo ilegal de apropriação de parte dos salários de subordinados. A investigação já colheu provas que reforçam a gravidade das suspeitas e os efeitos negativos dessas ações para a ordem pública e a credibilidade das instituições de segurança no estado.

Durante a operação, foram apreendidos mais de R$ 30 mil em dinheiro e bens de luxo em um condomínio de alto padrão em Manaus, além de material com características de substância entorpecente. O MPAM destacou seu compromisso com a integridade das instituições e com o combate à corrupção, enfatizando que as investigações terão continuidade até que todos os envolvidos sejam devidamente responsabilizados.

Polícia do Amazonas tem histórico de crimes

Em junho deste ano, quarta operação pelo quarto ano consecutivo onde forças de segurança são acusadas de usar aparato estatal para cometer crimes, seis PMs, entre eles um oficial, foram presos por tráfico de drogas, na manhã desta sexta-feira (14/06/2024). O grupo foi preso após investigação da Operação Audácia, conduzida pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM). O caso veio à tona após denúncia telefônica que apontou uma grande quantidade de drogas sendo manuseada por policiais militares no bairro Educandos, Zona Sul de Manaus.

São vários caso de agentes de segurança pública do Amazonas envolvidos em denúncias de formação de quadrilha. Em agosto de 2023, o então secretário de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), general da reserva Carlos Alberto Mansur, foi exonerado após surgir a informação de que ele mantinha uma organização criminosa funcionando dentro do próprio órgão de estado.

Segundo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Amazonas (Gaeco-AM), os membros da quadrilha organizavam diligências com o uso da própria máquina do estado com o objetivo de estorquir dinheiro de criminosos. O MPAM suspeita ainda que havia um posto policial separado especificamente para receber o dinheiro da extorsão. Uma empresa seria utilizada para lavar o dinheiro do esquema em São Paulo, fato que motivou a participação do Gaeco paulista na operação.

Em maio de 2022, a Operação Pundonor apontou a prática de crimes de extorsão envolvendo Policiais Militares e outras pessoas. Foram expedidos seis mandados de prisão e seis de busca e apreensão. De acordo com o Gaeco, entre as prisões efetuadas, há um Oficial da Polícia Militar e os demais são Praças.

Em maio de 2021, a Operação Arrocho da Lei investigou policiais militares do Amazonas que estariam roubando drogas da facção criminosa Comando Vermelho (CV) e revendendo o material. O nome uma referência ao termo “arrocho”, que consiste justamente no roubo de carga de drogas de traficantes e depois na revenda. Mais de meia tonelada de drogas teriam sido “roubadas” pela quadrilha.

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