Com cartéis e um Estado corrompido, Equador realiza 2º turno da eleição presidencial no próximo dia 13

Com cartéis e um Estado corrompido, Equador realiza 2º turno da eleição presidencial no próximo dia 13

 Daniel Noboa que concorre à reeleição atua em defesa dos interesses dos EUA, está envolto em denúncias de corrupção e se mostra incapaz de conter avanço do narcotráfico no Equador

Noboa era um candidato típico da antipolítica, da Direita, mas nos últimos 18 meses deu uma guinada radical virulenta, típica do extremismo, que se aprofundou com a vitória de Trump.
O presidente que pretende a reeleição ofereceu seu país, o Equador, para ser vir de cadeia para presos dos Estados Unidos e propôs a reabertura da base militar dos EUA dentro do território do Equador. A base de Manta que era a maior dos EUA na América do Sul, foi fechada em 2009. O artigo 5 da Constituição do Equador proíbe bases militares estrangeiras no país. Mesmo assim, no governo Noboa, a presença de assessores militares e do Comando Sul dos Estados Unidos é intensa — especialmente nas ilhas Galápagos.
Em sua gestão a pobreza cresceu e o Produto Interno Bruto (PIB) teve crescimento negativo de -0,7%, o que, com crescimento populacional, significa retração per capita ainda maior.

Também há críticas à gestão da segurança. Noboa prometeu resolver o problema. Fez referendo em abril do ano passado para permitir a militarização das ruas,  extradições para os Estados Unidos, aumento de penas — uma série de medidas autoritárias e populistas que não resolveram a situação e inauguraram um cenário novo e alarmante.  Sequestros e extorsões aumentaram enormemente. Pequenos negócios estão pagando para não serem atacados, ameaçados ou alvejados. São registrados desaparecimentos e tortura em prisões.

Nepo baby enrolado

Daniel Noboa é um bilionário jovem, fã de Elon Musk e transgressor das leis.

Fora as denúncias de corrupção, Noboa tem offshores no Panamá, o que é proibido pela Constituição. É sócio de empresas mineradoras canadenses e assinou um acordo de livre comércio com o Canadá — que na prática é um acordo consigo mesmo. Reportagens publicadas em toda a América do Sul, exceto no Equador por conta da censura governamental brutal, dão conta de vários carregamentos de cocaína — de até 600 quilos —que  foram apreendidos em fazendas de Noboa. O único preso foi solto três vezes, sempre pelo mesmo advogado, hoje ministro da Saúde.

A polícia está totalmente corrompida, o sistema judicial está em colapso. É uma situação institucional gravíssima. A gestão Noboa é tão escandalosamente transgressora da institucionalidade que até setores liberais se voltaram contra ele.

Alinhado a Trump, Noboa foi um dos três presidentes latino-americanos convidados à posse de Trump, junto com Javier Milei [Argentina] e Nayib Bukele [El Salvador]. Recentemente, esteve em Mar-a-Lago, para um aperto de mãos com Trump. Ele acredita que esse é o caminho — a aliança com os Estados Unidos

Eleição

No 1º turno realizado em 9 de fevereiro, Noboa obteve 44,4% dos votos e a candidata de Esquerda, Luíza González,43,9%. A diferença entre os dois foi de 16.746 votos, contrariando a convicção de Noboa que venceria no primeiro turno.

O 2º turno será realizado no próximo domingo, 13/4 e de acordo com as últimas pesquisas, a candidata de esquerda Luisa González aparece à frente de Noboa com 51,36% dos votos válidos contra 48,64% do atual presidente.

O problema é que o Equador tem  autoridades eleitorais completamente cooptadas por Noboa. Seus adversários suspeitam de ameaças contra membros do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e do Tribunal Contencioso Eleitoral (TCE). Observadores eleitorais da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da União Europeia  estão assustados.

Além disso há o tradicional problema dos militares na América do Sul. Nas Forças Armadas equatorianas também há uma tradição — como em outros países da América Latina — de um setor mais nacionalista, que defendeu, por exemplo, a nacionalização do petróleo. Mas hoje esse setor é claramente minoritário. A maioria está alinhada com a direita, como acontece em vários países da região.

O tema dos militares é complicado. Os Estados Unidos não recuperaram realmente o controle — e não só os Estados Unidos. Israel também está muito presente no Equador. Isso é algo que vimos na América Latina após os governos progressistas: os governos conservadores trouxeram Israel de volta. O caso da Bolívia, com o golpe de Jeanine Áñez, é um dos melhores exemplos.

No Equador, a presença também é muito forte, além da atuação do Comando Sul. Com todo esse aparato — apoio logístico, prestígio, visitas frequentes a Washington com a oficialidade, mas nas tropas e entre os jovens oficiais há certa nostalgia pela Revolução Ciudadana, Rafael Correa aumentou bastante os salários, melhorou as condições sociais dos militares. Essa memória permanece. Com informações da Diálogos do Sul Global.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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