Pronto. Quem ainda arrastava os pés na lama da dúvida sobre o caráter fascista do projeto trumpista pode, agora, limpar os sapatos. Acabou. Não sobrou nem fumaça da ilusão. Donald Trump, em mais um de seus arroubos bufônicos de imperador decadente, decidiu intervir diretamente nas universidades americanas — e começa pela cabeça da serpente: Harvard, nada menos que a mais prestigiada instituição de ensino dos Estados Unidos.
E qual o pretexto? Eliminar os programas de diversidade, equidade e inclusão. Traduzindo: acabar com cotas, políticas de respeito às diferenças de gênero, raça e orientação sexual. Numa palavra: apagar a pluralidade para reinstalar o velho e mofado trono do homem branco, cis, hétero, rico e armado até os dentes.
Alguns analistas andam dizendo por aí que as ações de Trump na economia carecem de método, que são improvisadas. Pode ser. A economia pode até estar sendo regida por impulsos de um bilionário ressentido brincando de roleta com o comércio internacional. Mas no campo político, ah, aí tem plano. E tem método. Tem um roteiro. Kim Jong-il, lá da Coreia do Norte, deve estar orgulhoso do pupilo ocidental.
Trump não está blefando. Ele está construindo um regime. Tijolo por tijolo. Decreto por decreto. Mentira por mentira. E se o mundo continuar achando graça no palhaço, vai acabar sendo devorado pelo monstro.
Por Oliveiros Marques
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