Tarifaço de Trump: mais inflação e caos no comércio internacional

Tarifaço de Trump: mais inflação e caos no comércio internacional

Trump impõe tarifas generalizadas de até 49%, prometendo “libertação”, mas provoca incerteza nos mercados, risco de recessão e retaliação internacional

Segundo o jornal britânico The Guardian,  Donald Trump, ao invés de construir um muro de aço na fronteira com o México, ergueu uma muralha tarifária ao redor da economia americana.

A nova política prevê tarifas de importação generalizadas, variando entre 10% e até 49% para determinados países. “Estamos promovendo a libertação econômica dos Estados Unidos”, declarou Trump. Apesar do tom triunfalista, os efeitos esperados apontam para uma elevação nos preços ao consumidor, aumento da instabilidade para empresas e o agravamento de uma possível recessão em curso.

Impactos diretos nos EUA e no mundo

Nos Estados Unidos, os consumidores devem sentir no bolso a alta dos preços de produtos importados e de insumos industriais. Empresas, por sua vez, enfrentam um ambiente de incerteza corrosiva, dificultando investimentos, principalmente em manufatura, que o próprio governo pretende estimular. “Estamos fazendo algo muito grande”, disse Trump à Fox News, em entrevista na qual também se recusou a descartar a possibilidade de uma recessão.

A equipe econômica da Casa Branca projeta arrecadar até US$ 600 bilhões por ano com as tarifas, valor que seria utilizado para viabilizar cortes de impostos. No entanto, essa meta parece incompatível com a concessão de isenções amplas, o que indica que poucos países escaparão das medidas.

Entre os afetados, Reino Unido e União Europeia foram poupados com tarifas de 10% e 20%, respectivamente, após ofensivas diplomáticas. Outros países sofreram impacto mais severo: 46% para o Vietnã, 49% para o Camboja e 29% para o Paquistão.

Riscos de retaliação e guerra comercial

A adoção unilateral de tarifas em escala histórica tende a provocar respostas igualmente agressivas. Economias rivais podem retaliar, agravando tensões e comprometendo o comércio global. A incerteza se espalha rapidamente pelos mercados: ações caem, investimentos são adiados e índices de confiança do consumidor já mostram forte retração.

Na visão do The Guardian, o chamado “Dia da Libertação” anunciado por Trump marca, na prática, o início de um período ainda mais volátil e imprevisível, com governos pressionados a negociar acordos bilaterais em meio ao risco constante de punições.

O Reino Unido, por exemplo, tenta costurar um “acordo econômico” que envolva concessões à big tech americana e abertura do mercado para alimentos dos EUA. A União Europeia segue caminho semelhante, em um esforço para suavizar os impactos sobre seus setores exportadores.

 

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