O-é Kaiapó Paiakan fala sobre o medo de retaliações dos garimpeiros e cobra políticas públicas no território
Nas duas últimas semanas, o governo federal deu início ao processo de desintrusão da Terra Indígena (TI) Kayapó, no sul do Pará. O território indígena é o mais invadido por garimpos ilegais na Amazônia. A operação de retirada dos invasores destruiu maquinários pesados, como retroescavadeiras, balsas e dragas, e estruturas de apoio utilizadas pelos garimpeiros. A Casa Civil, pasta que coordena a desintrusão, estima que as ações no território resultaram em perdas de mais de R$ 12 milhões.
“Vimos o quanto de prejuízo ao garimpo houve nessa desintrusão. Claro que eles vão ficar insatisfeitos e vão buscar algum culpado”, avalia O-é Kaiapó Paiakan, a primeira mulher indígena a assumir o posto de coordenadora regional da Funai na TI Kayapó.
Há ainda um longo caminho pela frente. Em entrevista à Repórter Brasil na última sexta (16) em Tucumã (PA), O-é Kaiapó afirmou acreditar que só a desintrusão não irá resolver os problemas que, há décadas, estão enraizados dentro da área onde cresceu. Problema que teve início, na sua avaliação, na permissão das invasões pelo Estado brasileiro.
Ela teme também pela reação dos invasores após a desintrusão. Na TI Apyterewa, também no Sul do Pará, os Parakanã continuam enfrentando a violência, dois anos após a retirada dos invasores. Na semana passada, mais um indígena foi baleado.
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