Medida do governo libera só 1/18 do orçamento até novembro, deixando o grosso do recurso para ser executado em dezembro
O ano de 2025 escancara, mais uma vez, a fragilidade estrutural do financiamento da educação pública no Brasil. O recente Decreto nº 12.448 do governo federal, publicado em 30 de abril de 2025, impõe um cronograma de execução orçamentária que, na prática, impulsiona o sucateamento das instituições federais de ensino e as paralisa. A medida libera apenas 1/18 do orçamento discricionário até novembro, deixando o grosso do recurso para ser executado em dezembro, como se fosse possível garantir assistência estudantil, bolsas, luz, água, funcionamento de restaurantes universitários e manutenção da infraestrutura básica com as verbas atuais.
Enquanto avançamos na luta pela educação, e conquistamos políticas que permitem a democratização do acesso e permanência no ensino superior público, vemos um grande embargo quando se trata de orçamento. Embora o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2025 tenha previsto um aumento de 10% para a educação, o valor de R$ 177 bilhões continua insuficiente frente às demandas da rede federal e muito abaixo da meta dos 10% do PIB prevista no Plano Nacional de Educação (PNE). O Congresso Nacional por sua vez não nos ajudou, com ⅔ dos parlamentares sendo de direita, a atuação dessa maioria no debate orçamentário foi primordial para que a LOA fosse aprovada aprofundando o déficit orçamentário para a educação.
Há uma evidente contradição entre o projeto que venceu nas urnas e a agenda que vem sendo implementada. O próprio presidente Lula ressalta, repetidas vezes, o papel da educação na reconstrução e no desenvolvimento de um país. Contudo, é necessário não apenas cumprir a promessa de não cortar verbas da educação, mas também garantir que o Executivo atue de forma coesa, evitando, na prática, a implementação de uma política de asfixiamento das universidades e institutos federais, como propõe o Decreto nº 12.448.
Dinheiro para a educação existe, mas para garantir a recomposição orçamentária, é urgente a revogação do arcabouço fiscal ou, no mínimo, a retirada da educação dos limites que ele impõe. Para que nossas instituições federais voltem a ser o coração do desenvolvimento brasileiro, precisamos que o orçamento além de recomposto seja ampliado. Nesse sentido, identificamos outras duas medidas fundamentais, as quais irão contribuir para financiar a educação e demais áreas sociais: a auditoria cidadã da dívida pública, bem como a implementação de uma reforma tributária justa para taxar os super-ricos, desonerando os mais pobres de pagar altos impostos.
É por isso que a União Nacional dos Estudantes, convocou o conjunto das entidades estudantis e do movimento educacional para construir um dia de luta pelo orçamento. No dia 29 de maio vamos ocupar as ruas, nas capitais e interior, pela recomposição do orçamento e pela revogação do Decreto nº 12.448, colocando o debate do orçamento nas mãos de quem mais sente na pele e exige mudanças.
*Paulinha Silva é diretora de políticas educacionais da União Nacional dos Estudantes (UNE).
**Sofia Cartaxo é diretora de articulações institucionais da União Nacional dos Estudantes (UNE).
Publicado por Brasil de Fato
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