Queimadas: impacto da fumaça durante décadas pode reduzir em anos a expectativa de vida no Acre

Queimadas: impacto da fumaça durante décadas pode reduzir em anos a expectativa de vida no Acre

A geração de fumaça poderá ficar pior no futuro, se o alastramento de fogo na região não for reduzido

Durante o período intenso de fumaça em setembro de 2024, a média mensal de de material particulado fino, chegou a cerca de 100 microgramas por metro cúbico em Rio Branco, quando o limite diário da Organização Mundial da Saúde para PM2.5 é 15 µg m-3 e o limite médio anual é 5 µg m-3 .

O impacto desta fumaça, durante décadas, pode reduzir em anos a expectativa de vida na região MAP que inclui as regiões de Madre de Deus-Peru, Acre-Brasil e Pando-Bolívia, alerta a Iniciativa Trinacional MAP em estudo assinado por 24 pesquisadores.

Com temperaturas mais altas e secas mais prolongadas, a geração de fumaça poderá ficar pior no futuro, se o alastramento de fogo na região não for reduzido.

De acordo com os pesquisadores, as tendências de elevação da temperatura e de alteração das chuvas, acopladas com a redução de florestas, indicam que podemos ter secas severas neste e nos próximos anos, com probabilidade alta de se agravar.

“Além da temperatura, podemos notar uma mudança na distribuição de chuvas na Amazônia, com um prolongamento da época seca na região MAP. No período de outubro de 2024 a março de 2025, o estado do Acre foi um dos mais afetados pela seca, com diversos municípios enfrentando entre três e quatro meses de condições de seca severa, extrema ou excepcional, conforme dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais – (Cemaden)”.

Segundo o documento MAP, nas escalas da Amazônia e local, o desmatamento contribuiu para um aumento significativo de temperatura e provavelmente vai agravar a temperatura nas próximas décadas (4,5), uma vez que não há nenhuma estratégia em larga escala para frear e/ou reverter as taxas de desmatamento atuais, integrada numa ação de restauração florestal.

“Durante a época de chuvas, a água do subsolo é recarregada, permitindo crescimento de árvores e a água fluindo nos rios da região na época seca. Menos chuva na época chuvosa pode significar menos água no solo e nos rios na época seca nos próximos meses, além de
aumentar a inflamabilidade das florestas e áreas agrícolas”.

O alerta da Iniciativa Trinacional MAP deve servir para nortear ações de governos e embasar debates na 15ª Reunião Anual da Força-Tarefa dos Governadores para o Clima e as Florestas (GCF Task Force), que ocorre a partir desta segunda-feira, 19, no Acre, e se estende até 23 de maio, com a participação de líderes de 11 países e representantes de mais de 43 estados.

Com o tema  “Nova Economia Florestal: Conectando Governos, Povos e Oportunidades”, o evento reúne autoridades que atuam em rede para buscar soluções conjuntas no enfrentamento ao desmatamento, na promoção do desenvolvimento com baixas emissões de carbono e no fortalecimento de políticas públicas voltadas à proteção das florestas e dos povos que nelas vivem.

Recomendações:

1. Atualizar e implementar, nos níveis federal, estadual, municipal e comunitário, planos de contingência para desastres socioambientais associados a eventos extremos climáticos, com a participação ativa de organizações de bairro. No caso de Pando, os Conselhos de Bairro e as Federações de Conselhos de Bairro (FEJUVE), bem como organizações inovadoras de afetados para a gestão adequada dos riscos
decorrentes, durante e após eventos extremos. Os custos destas atividades são muito menores do que os danos causados por estes eventos, exemplificados pela inundação em Rio Branco em 2015 e outros eventos no Acre (10).

2- Preparar as sociedades para lidar com mudanças climáticas, perda de biodiversidade e desastres socioambientais nas décadas que vêm, via modificações nos sistemas educacionais do básico até superior, como proposto no Brasil via a Lei no. 14.926, de 17 de julho de 2024 (11) e o que está estabelecido na Lei de Educação nº 070, Artigo Cinco, (Objetivos da educação), inciso 9 no Estado Plurinacional da Bolívia (12). Além do Objetivo Prioritário 1 da Política Nacional de Gestão de Riscos de Desastres até 2050 e o art. 2.2 do Decreto Supremo que declara
de interesse nacional a emergência climática no Peru (13).

3. Fortalecer e propagar bons exemplos de preparação e resposta de comunidades enfrentando os eventos extremos, como a autogestão de desastres promovida pelos moradores do bairro Junín, duramente afetado pelo transbordamento do Rio Acre na cidade de Cobija.

4. Fazer gestão de paisagens para que se mantenham a estrutura e funcionamento de ecossistemas naturais que amortecem os impactos de mudanças climáticas na escala regional, mantendo áreas de proteção e recuperação de áreas críticas. Em linha com o enfoque ecossistêmico da Convenção sobre Diversidade Biológica (14) e as prioridades estabelecidas no Plano Maestro do Parque Nacional Alto Purús
2024–2029 (SERNANP, 2024). Torna-se urgente implementar medidas de adaptação e mitigação a médio e longo prazo, como a restauração de paisagens degradadas, fortalecimento do monitoramento climático coordenado, salvaguardas específicas
para os PIACI e o fortalecimento da governança ambiental trinacional para garantir a resiliência desses ecossistemas e das populações que deles dependem.

5-Integrar ferramentas de governança territorial (Zoneamentos, ordenamentos territoriais e planos de vida) com estratégias de adaptação e mitigação as mudanças climáticas e provisão de serviços ambientais. Priorizar a região do MAP e buscar o envolvimento direto dos governos locais, estaduais e federais, com responsabilidades comuns e diferenciadas.

6. Expandir as redes de monitoramento hidrometeorológico e da qualidade do ar da região MAP para auxiliar em alertas e respostas aos eventos extremos, usando tecnologias de baixo custo integradas com os sistemas educacionais e da saúde para facilitar a aplicação de informações geradas.

Veja o documento na íntegra Aqui

Imagem- O Eco

Veja também

A hora do doido: Irã contratou psicólogos e psiquiatras para saber como lidar com Trump

A hora do doido: Irã contratou psicólogos e psiquiatras para saber como lidar com Trump

O governo do Irã contratou psicólogos e psiquiatras experientes para avaliar a condição mental do …