Tarcísio e Netanyahu, tudo a ver
Não deveria causar estranheza o fato do governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos), participar de um ato de fé enrolado na bandeira de Israel. Tarcísio e Benjamin Netanyahu têm em comum o extremismo político e a prática violenta. A política da morte.
O governo de Israel tem na conta atual o assassinato de milhares de pessoas no Líbano, Irã, Iêmen, Síria, Cisjordânia e Faixa de Gaza. Só em Gaza são mais de 65 mil mortos, a maioria mulheres e crianças.
No governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), as mortes de crianças e adolescentes pela PM mais do que dobraram em São Paulo. Uma em cada três crianças e adolescentes mortos violentamente em SP foram assassinados pela polícia, segundo levantamento do Unicef e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Crianças e adolescentes negros são 3,7 vezes mais vítimas de intervenções letais da PM do que brancos. Um em cada 4 assassinatos em SP foi cometido pela polícia sob Tarcísio e Derrite. De janeiro a outubro de 2024, as polícias Civil e Militar de Tarcísio mataram 676 pessoas, ultrapassando os anos inteiros de 2023, 2022 e 2021.
Pobres evangélicos. São usados como inocentes úteis!
A Marcha Para Jesus ocorre desde 1993 na capital paulista e reúne diversas igrejas evangélicas. Nos últimos anos entretanto, bandeiras de Israel são distribuídas aos participantes confundindo o Deus de Israel da Bíblia com o governo de Israel. O que leva os cristãos a passarem por cima do fato que foram os judeus que mataram Jesus. A Bíblia diz em Mateus 26:3-4: “os principais sacerdotes e os anciãos do povo se reuniram no palácio do sumo sacerdote, chamado Caifás, e deliberaram prender Jesus, à traição, e matá-lo.” Os líderes judeus exigiram dos romanos que Jesus fosse morto (Mateus 27:22-25). Eles não podiam continuar permitindo que Jesus operasse sinais e maravilhas porque isso ameaçava a sua posição e lugar na sociedade religiosa que dominavam (João 11:47-50), de modo que “resolveram matar Jesus” (João 11:53).
Ora, cristão é a designação dos seguidores de Jesus Cristo. Olhos atentos observam que a contradição de idolatrar os que o mataram é explicada pelo objetivo de controlar mentes com objetivo político-financeiro.
Quer mais? Lá vai: o Talmude coletânea de livros sagrados dos judeus, despreza Jesus, dizendo que ele não era uma figura religiosa importante e o cristianismo, uma seita insignificante. Jesus é mencionado em passagens breves, geralmente exemplificando um autor de um mal feito, ou como exemplo de um pervertido. Ele é mencionado no Talmude Babilônico, no tratado Gittin 56b e 57a, como um dos três maiores vilões da história judaica e é tido como dos três principais inimigos de Israel. O Talmude amaldiçoa os cristãos. Em uma passagem destaca “não sentarás em bancos onde cristão sentou”.
Aproveitamento político
Apesar do caráter religioso declarado, a Marcha Para Jesus tem se aproximado de pautas políticas da direita nos últimos anos. Tarcísio, por exemplo, foi exaltado durante a marcha ao lado de pastores, que pediram orações e votos por ele.
Muitos evangélicos que inclusive participaram da Marcha para Jesus nesta quinta-feira (19), discordam da politização partidária da Marcha e da idolatria à Israel. Marta Batista, dona de casa que vive em Londres e veio ao Brasil para acompanhar a marcha, carregou uma bandeira palestina e foi ameaçada por um homem evangélico. “O Israel mencionado na Bíblia não é o mesmo Estado de Israel governado por Benjamin Netanyahu, um político acusado de crimes de guerra”, disse ela ao jornalista Fabrício Rinaldi e completou “Uma pessoa cristã tinha de orar pela paz, não torcer para um lado. Me chamaram de terrorista”, referindo-se a “Deuteronômio 25”.
Rinaldi explica que esse capítulo do Antigo Testamento reúne leis civis, familiares e morais aplicadas à sociedade hebraica. À luz do que Israel faz com os palestinos em Gaza — como os ataques indiscriminados, cerco, cortes de água, energia, comida, destruição de hospitais e assassinato de civis —, os princípios descritos em Deuteronômio 25 são negados em praticamente todos os aspectos.
Tarcísio de Freitas fez da Marcha para Jesus um ato político. Enrolado em uma bandeira de Israel, ao som do louvor “1.000 graus”, em cima de um trio elétrico, o governador de São Paulo discursou enquanto Israel matava mais 72 palestinos em um ataque com tanques, aviões e drones. 21 dos mortos de ontem (19), estavam esperando ajuda humanitária. Na fila da fome. Junto com ele estavam o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL), o presidente do PSD, Gilberto Kassab e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB).
Mesmo que não acreditem tentam vender para os evangélicos a ideia de que o governo genocida de Benjamin Netanyahu é o representante legítimo do povo escolhido citado na Bíblia, com o objetivo de engajá-los em sua campanha. Olhos atentos observam que enquanto os religiosos sinceros esperam receber um pedaço do céu na outra vida, políticos aproveitadores querem um pedaço do paraíso na terra. Nesta vida. Oportunistas que lideram algumas igrejas se unem a oportunistas políticos. Em benefício próprio. Instrumentalizando a religião com desinformação e como diz Fabrício Rinaldi ” estimulando um ambiente de intolerância”.
Detalhe importante: a culpa não é dos judeus. Esta reflexão não é contra eles. Muitos judeus não tem sequer religião e se posicionam contra o sionismo. Sionismo é uma doutrina. Não é a religião judaica mas uma corrente politico ideológica, racista que governa o Estado de Israel. Na verdade, uma ideologia supremacista racial que se coloca como superior a partir da interpretação que são o povo escolhido por Deus e por isso têm direito divino a tudo. O resto é apenas o resto. E é como resto que me manifesto. Rimou.
Não acredite em mim. Não acredite cegamente em ninguém. Liberte-se. Leia, estude. Depois conversamos.
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