Guerra civil nos EUA: país da liberdade em luta contra o autoritarismo de Trump

Guerra civil nos EUA: país da liberdade em luta contra o autoritarismo de Trump

Trump tenta jogar população estadunidense contra os latinos e se dá mal. Cidadãos dos EUA, brancos, saem às ruas contra a política de perseguição aos imigrantes e o presidente ameaça intervenção militar com a Guarda Nacional na Califórnia

A confusão começou na noite de sexta-feira quando foi emitido a polícia um alerta tático em toda a cidade de Los Angeles cerca de duas horas depois de declarar as manifestações no centro como reuniões ilegais.

Segundo a Reuters, os protestos iniciaram  após uma série de batidas do ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas), que resultaram na detenção de pelo menos 44 migrantes na sexta-feira, em cumprimento à determinação do governo federal dos EUA que  metas de deportações recordes e prisões em massa (3 mil por dia).

Los Angeles, California, virou uma zona de guerra com massivos protestos contra Trump que foram reprimidos com violência pela Guarda Nacional, a mando do presidente dos EUA. O povo não arregou e o Departamento de Segurança Interna (DHS) alegou que houve um aumento de 413% nos ataques contra agentes, além da exposição ilegal de dados pessoais de familiares dos oficiais (prática conhecida como doxxing).

Los Angeles virou uma zona de guerra

A população local engrossou os protestos dos imigrantes e no sábado, agentes federais confrontaram manifestantes na região de Paramount, no condado de Los Angeles, e prenderam diversos participantes dos atos. Vídeos mostram agentes com máscaras de gás e viaturas em formação, enquanto cartuchos de gás lacrimogêneo eram lançados em meio a carrinhos de supermercado tombados nas ruas.

O procurador dos EUA para o Distrito Central da Califórnia, Bill Essayli, disse: “Deixe-me ser claro: não me importa quem você seja — se você impedir agentes federais, será preso e processado”. O que não intimidou os manifestantes que permaneceram nas ruas e picharam o  centro de detenção com mensagens contra os agentes de imigração e bloquearam viaturas do Departamento de Polícia de Los Angeles. “O uso de munições menos letais foi autorizado pelo comandante da ocorrência”, escreveu a Divisão Central do Departamento de Polícia de Los Angeles (LAPD) em uma postagem na rede X.

O chefe de polícia de Los Angeles Jim McDonnell, informou que a polícia local não ajudará nem participará de qualquer tipo de deportação em massa: “Quero que todos, incluindo nossa comunidade imigrante, se sintam seguros para chamar a polícia quando precisarem e saibam que a polícia de Los Angeles estará lá por vocês, independentemente do status migratório de cada um”.

A prefeita A prefeita de Los Angeles, Karen Bass, explicou o sentimento de terror dos moradores: “A agência de imigração estava literalmente correndo atrás das pessoas na rua” e o governador Gavin Newsom declarou: “As varreduras federais caóticas que continuam acontecendo por toda a Califórnia, para cumprir uma meta arbitrária de prisões, são tão imprudentes quanto cruéis.”

Trump ameaça intervenção e retaliações

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou neste sábado (7) que os fuzileiros navais do país estão “em alerta máximo” e prontos para serem mobilizados caso a violência persista nas manifestações contra as recentes operações migratórias. A ameaça do alto escalão do Pentágono marca um dos pontos mais graves na escalada de confrontos entre manifestantes e agentes federais enviados pelo presidente Donald Trump.

“Se a violência continuar em Los Angeles, estamos preparados para mobilizar tropas da ativa”, declarou Hegseth, referindo-se aos Marines baseados em Camp Pendleton, nas proximidades da cidade. A afirmação veio horas antes do envio de 2 mil soldados da Guarda Nacional à Califórnia, anunciado pela Casa Branca por meio de um memorando presidencial.

A vice-presidência também entrou no embate. JD Vance, vice-presidente de Trump, classificou os manifestantes como “insurrecionistas carregando bandeiras estrangeiras que atacam agentes de imigração”.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse em um comunicado. que o FBI também foi mobilizado para investigar manifestantes que teriam obstruído as operações de fiscalização de imigração em Los Angeles, na sexta (6) e no sábado (7).

Até o momento a Lei de Insurreição — que permitiria o uso direto das forças armadas — ainda não foi invocada. A última vez que o dispositivo de 1807 foi usado ocorreu durante os distúrbios de 1992, também em Los Angeles. O envio de 2 mil soldados da Guarda Nacional a Los Angeles foi considerada pelo governador Gavin Newsom, como “intencionalmente inflamatória” e configura uma tentativa deliberada de escalar os conflitos. “O governo federal está assumindo o controle da Guarda Nacional da Califórnia e enviando 2.000 soldados a Los Angeles – não porque há escassez de forças de segurança, mas porque querem um espetáculo”, criticou o governador em uma postagem na plataforma X. “Não deem isso a eles.”

Donald Trump ameaça também o cancelamento de repasses federais para a Califórnia.

Assista ao vídeo dos confrontos

 

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