Livre mercado: EUA gastam o equivalente a 35 anos dos gastos anuais com o SUS para matar estadunidenses

Livre mercado: EUA gastam o equivalente a 35 anos dos gastos anuais com o SUS para matar estadunidenses

Os EUA não possuem um sistema de saúde público como o SUS, que atende pessoas de maneira indiscriminada. Por lá, todo o cuidado de saúde é privatizado, em especial através de planos de saúde. Mesmo assim os EUA é o país que mais gasta no mundo em saúde publica com a transferência de recursos públicos para o setor privado de saúde com o healthcare.

Em vez de um sistema publico, que compete com o privado e ajuda controlar preços, os EUA deixam o livre mercado agir, o que leva os empresários a fazerem cartel e manipular os preços para cima. Dessa maneira o governo dos EUA paga altos preços para as redes privadas atenderem as pessoas, e as redes privadas cobram o que querem. Segundo o professor de Tecnologia da Informação do Canadá, Ferllen Fokker, só em 2024, o governo americano gastou 1.4 trilhões de dólares, quase um PIB do Brasil em healthcare. Isso pra atender 1/4 da população, uma parcela ínfima da população que não possui plano de saúde.

Fokker comparou o Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil com o sistema estadunidense e concluiu: “Para ter uma ideia o orçamento anual do SUS custa 40 bilhões de dólares. Em 1 ano o governo dos Estados Unidos gasta o equivalente a 35 anos de SUS com a rede privada de saúde. Como tudo que é privatizado, o governo acaba tendo que subsidiar uma parte, e não raramente no final, o subsidio para empresas privatizadas é maior que o custo de quando era publica”.

Nos EUA pacientes são expulsos de hospitais quando não têm dinheiro para pagar

Notícias como estas mostram a rotina nos EUA:

-Jornalistas do Wave3, um canal de notícias de Louisville, capital do Kentucky, no sul do país, flagraram seguranças do Hospital da Universidade de Lousville expulsando pacientes e os deixando no meio da rua.

A prática é chamada de “patient dumping” ou “despejo de paciente”, em tradução livre. A cena se repete: são seguranças do hospital acompanhando ou carregando a força pessoas doentes que não tem como pagar o tratamento para longe do centro médico.

Uma funcionária do hospital ligou para os jornalistas da Wave3 relatando que uma mulher havia sido abandonada na calçada. Quando os jornalistas chegaram no local, encontraram a paciente ainda vestida com camisolas hospitalares e desacordada no chão.

-O Los Angeles General Medical Center foi denunciado em 2018 por mandar seus pacientes sem recursos para o Skid Row, a “cracolândia” da cidade.

-O hospital Howard, em Washington D.C., foi flagrado jogando um paciente em uma cadeira de rodas em um ponto de ônibus. No mesmo ano, o mesmo ocorrido no Hospital da Universidade de Maryland, em Baltimore:

-Policiais expulsam idosa de hospital, que morre logo em seguida. Uma mulher de 60 anos foi expulsa do hospital Fort Sanders Regional Medical Center no estado do Tennessee, nos Estados Unidos, e acabou morrendo.

Através das imagens gravadas pelas câmeras nas fardas dos oficiais da cidade é possível ver Lisa Edwards implorando para que a ajudassem, afirmando que não conseguia respirar e que estava impossibilitada de andar. Os policiais ignoram todas as queixas e levam a senhora para fora do hospital, em uma cadeira de rodas.

-Ray DeMonia, de 73 anos, morreu de problemas cardíacos por não conseguir atendimento em 43 hospitais nos EUA.

O alerta de Ferllen Fokker contra a privatização de serviços essenciais atinge em cheio os defensores do livre mercado: “tomando o modelo americano como exemplo. Privatizar o SUS vai deixar a saúde do brasileiro refém do mercado privado que vai poder cobrar o que quiser, inclusive do governo. No final, ficará mais cara e pior, também aumentando as mortes por falta de acesso à saúde”.

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