Ao criar uma janela artificial de exportação até o dia 5, Trump planta uma armadilha especulativa para os agroexportadores brasileiros e tenta lucrar com a corrida por vendas a qualquer preço
Na análise de Leonardo Stoppa, o tarifaço anunciado por Donald Trump não é apenas uma medida protecionista qualquer — é uma jogada calculada para provocar desestabilização no setor agroexportador brasileiro. Com o anúncio de que só aceitará importações isentas de tarifas até o dia 5, Trump criou um clima de urgência artificial, como se fosse uma espécie de “Black Friday às avessas”.
Carne, soja e café ficaram fora da lista de quase 700 produtos isentos da sobretaxa
Os grandes exportadores de carne, soja e café que foram sobretaxados em 50%— justamente os setores mais alinhados ao bolsonarismo e que financiaram tentativas de ruptura democrática — estão agora diante de um dilema: ou vendem tudo até o dia 5, mesmo a preços aviltados, ou ficarão presos a estoques encalhados e tarifas proibitivas.
Neste setor, os que não buscarem outros mercados como o da China por exemplo, e se submeterem a chantagem econômica de Donald Trump, terão que submeter a preços baixos impostos pelos EUA. E pior, poderão submeter as próximas safras ao fracasso. Como uma bola de neve rolando montanha abaixo.
A saída seria se unirem ao governo Lula e buscar novos mercados. Mas para isso o agronegócio exportador teria que priorizar o lucro em vez da ideologia que o levou a gritar “Fechado com Bolsonaro”, para não ser engolido pelas garras do trumpismo.
Aliás, por falar em Bolsonaro, o que seria do Agro se Jair fosse o presidente em vez de Lula? Os Estados Unidos imporiam os preços que bem entendessem e Jair Bolsonaro acataria tudo. Não esqueçam que Bolsonaro vestiu o boné Maga (Make America Grate Again), prestou continência à bandeira dos Estados Unidos e disse que ama Donald Trump. O presidente dos EUA usa Jair Bolsonaro para obter seu intento da mesma forma que Bolsonaro usou o agro. Na verdade, nem Trump está preocupado com Jair, nem Bolsonaro se preocupa com agro ou a economia, mas tão somente com o poder.
“É a velha máxima: quem se alia à extrema-direita internacional, cedo ou tarde, vira vítima da própria armadilha”, destaca o comunicador Leo Stoppa que aponta quatro pontos estratégicos para reconstruir a soberania econômica com inteligência, união e um governo forte — que proteja a produção nacional e não aceite ser refém dos humores de um bilionário neofascista em campanha eleitoral.
- Atuar diplomaticamente para denunciar essa prática nos fóruns internacionais, como a OMC;
- Organizar uma compra governamental estratégica para absorver parte da produção e garantir preço mínimo aos produtores menores e médios;
- Fortalecer o mercado interno, incentivando o consumo nacional desses produtos com isenções e subsídios emergenciais;
- Acelerar parcerias com países do BRICS e outros blocos, para redirecionar o fluxo de exportações e quebrar a dependência dos EUA;
- Expor politicamente a manipulação imperialista de Trump, para mostrar à sociedade brasileira que o alinhamento cego ao bolsonarismo nos deixou vulneráveis a esse tipo de ataque.
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