Dentre os centenas de voluntários de mais de 40 países que se uniram na Flotilha Global Sumud para romper bloqueio israelense e entregar ajuda à população palestina estão nomes de peso internacional como os artistas de Hollywood Susan Sarandon, Mark Ruffalo, Liam Cunningham e Gustaf Skarsgård.
A atriz portuguesa Sofia Aparício que estará a bordo junto com o ativista português dos direitos humanos Miguel Duarte, acionou a justiça de Portugal para dar proteção à delegação portuguesa, por causa dos riscos. Desde 2010, todas as tentativas de flotilhas para Gaza foram interceptadas por Israel apesar do impedimento de receber alimentos ser considerado crime de guerra pelo Tribunal Penal Internacional.
A mais trágica ocorreu em maio daquele ano, quando comandos israelenses mataram dez ativistas a bordo da chamada Flotilha da Liberdade, que transportava mais de 600 passageiros. Em junho deste ano, o navio Madleen foi apreendido ilegalmente por forças israelenses a 185 quilômetros da costa de Gaza, em águas internacionais. A embarcação tinha entre seus tripulantes a ativista sueca Greta Thunberg, que acabou detida e deportada
“Conhecendo o historial de intervenções anteriores das forças israelitas contra este tipo de ações humanitárias, a delegação portuguesa deu conhecimento desta missão ao Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros português”, diz o comunicado.
A nova missão coordenada pelo ativista brasileiro Thiago Ávila e pela ativista sueca Greta Thumberg, dentre outros, tem uma dimensão internacional nunca vista. Com essa força e visibilidade esperam forçar a passagem alimentos e suprimentos médicos essenciais e abrir um corredor permanente de ajuda humanitária.
Outros brasileiros, além de Thiago Ávila, participam dessa missão, dentre eles, Mariana Conti (vereadora PSOL de Campinas), Gabi Tolotti (Presidente do PSOL RS) e Nico Calabrese (Coordenador da Rede Emancipa).
A Flotilha da Liberdade foi unificada com outras duas iniciativas, como a Marcha Global para Gaza e o Comboio Sumud, passando a chamar-se Flotilha Global Sumud, que conta com dezenas de figuras públicas de diferentes percursos como deputados do mundo inteiro, eurodeputados, médicos, artistas, ativistas, intelectuais e sindicalistas, englobando participantes de 44 nacionalidades.
A Flotilha Global Sumud será lançada em duas ondas. A primeira partirá do porto de Barcelona (Espanha), neste domingo 31 de agosto de 2025, e a segunda partirá da Tunísia e de outros destinos em 4 de setembro de 2025.
O número de barcos ainda é indeterminado mas a expectativa é que a flotilha seja composta por várias dezenas de embarcações, possivelmente até 100.
Missão de paz
Durante os últimos dias os voluntários participaram de treinamentos intensivos em Barcelona. Os organizadores destacaram que a ação deve permanecer inteiramente pacífica, mesmo diante de possíveis cenários como interceptações em águas internacionais, prisões ou agressões. Cada participante assinou um código de conduta que reforça o compromisso com a resistência pacífica.
“Não somos heróis. Não somos a história. A história é o povo de Gaza”, declarou o brasileiro Thiago Ávila, ativista ambiental e em defesa da Palestina, durante coletiva antes da partida. Ele ressaltou que a flotilha busca não apenas entregar suprimentos, mas abrir um corredor humanitário diante do risco de fome e massacres.
Contexto
A Flotilha humanitária tenta chegar à Palestina quando Netanyahu se prepara para a tomada militar da cidade de Gaza que é a maior cidade de Gaza, lar de um milhão de palestinos, obstruindo qualquer ajuda humanitária, com a fome se espalhando como uma epidemia fatal. O governo de Israel já convocou mais de 70 mil reservistas para a tomada de Gaza, prevista para as próximas duas semanas. Nesse período a solidariedade será fundamental.
Milhares de crianças subnutridas são retratadas diariamente, sem perspectivas nem futuro. A cada dia jornalistas e médicos são mortos sem pudor, para justificar o genocídio, que a cada dado, revela mais a natureza da barbárie que está sendo imposta. Segundo o jornal britânico The Guardian, os documentos vazados da própria defesa israelense registram que 83% dos mortos em Gaza são civis.
As cenas do genocídio transmitido pelas redes sociais, em tempo real e com milhões de visualizações, trazem indignação e resistências, mas também são usadas pelos donos do mundo para disseminar a resignação e a banalização do mal.
Contra isso crescem as organizações de judeus que denunciam a guerra e o papel do sionismo, optando por uma atividade de solidariedade aos palestinos como por exemplo grupo Vozes Judaicas de SP que viajou para a Cisjordânia, em encontro com outros países para se colocar ao lado da Palestina.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump é o principal suporte de Netanyahu. Sua visão de mundo precisa de uma vitória em Gaza, para controlar o Oriente Médio e justificar o supremacismo branco crescente, contra imigrantes, negros, árabes e latinos, em todo mundo. Na América do Sul, Trump e o sionismo têm aliados importantes como Milei e o clã Bolsonaro.
Trump tem interesse imobiliário na região e já anunciou a intenção de retirar os palestinos da região para transformá-la em balneário para ricos, com resorts para milionários do mundo, com cassinos e prostituição, como era Cuba antes da revolução. No governo Fulgêncio Batista, Cuba era o prostíbulo dos estadunidenses que iam para a ilha para participar de noitadas em cassinos, aproveitar as praias e explorar as adolescentes cubanas. Por isso a derrubada do regime subserviente aos EUA por Fidel Castro teve apoio massivo da população.
A concentração dos ativistas que participam da Flotilha Global Sumud na Espanha tem valor simbólico internacional representado pela pintura Guernica de Pablo Picasso que imortalizou a dor da derrota republicana. Os aviões que destroçaram a cidade eram alemães, a serviço do nazismo. Em defesa do general Francisco Franco, os apoiadores de Hitler garantiram que a vitória da extrema direita na Guerra Civil Espanhola fosse o prelúdio da II Guerra e da tentativa de mundializar o domínio do nazi-fascismo. O “Generalíssimo” Francisco Franco implantou uma sangrenta ditadura que durou 40 anos. Sua vitória em 1931 teve um preço caríssimo para os democratas do mundo que 8 anos depois viram o mundo explodir sob a batuta de seu apoiador autoritário, Adolf Hitler.
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