Ataques israelenses em Gaza já mataram 267 jornalistas e mais de 500 ficaram feridos desde o início da escalada do conflito em 2023, segundo o Sindicato dos Jornalistas Palestinos
Dos 6 jornalistas mortos no ataque israelense neste domingo, 10, quatro eram do canal Al Jazeera, financiada pelo governo do Catar.
Entre as vítimas está um dos mais famosos jornalistas da Al Jazeera, Anas al-Sharif, que já havia sido ameaçado por Israel. Ele estava entre um grupo de quatro jornalistas da Al Jazeera e um assistente que morreram em um ataque a uma tenda perto do Hospital Al Shifa, no leste da Cidade de Gaza.
O escritório de direitos humanos da ONU condenou nesta segunda-feira (11) o assassinato de seis jornalistas palestinos em Gaza, afirmando que as ações do exército israelense representaram uma “grave violação do direito internacional humanitário”. A rede de notícias classificou a ação como mais um crime de guerra cometido por Israel contra profissionais de imprensa. A Al Jazeera declarou que a ofensiva integra uma escalada de violência que há mais de um ano e meio atinge a população civil na Faixa de Gaza.
Anas al-Sharif
Al Sharif de 28 anos, que se dedicou a denunciar os massacres, deixou mensagem póstuma denunciando massacres e apelando pela libertação da Palestina. A mensagem escrita em abril deste ano foi publicada por familiares e colegas no X (antigo Twitter). No texto, preparado para ser divulgado no caso de sua morte, o jornalista se despede de seus entes queridos e pede a libertação da Palestina e de seu povo.
“Se estas palavras chegarem até vocês, saibam que Israel conseguiu me matar e silenciar minha voz”, escreveu. “Meu objetivo sempre foi ser um apoio e uma voz para meu povo, desde que abri os olhos para a vida nos becos e ruas do campo de refugiados de Jabalia.”
Na mensagem al-Sharif relembra as dificuldades enfrentadas, as perdas e o sofrimento vivido, reforçando que jamais deixou de relatar a verdade “sem distorção ou falsificação”. Ele responsabiliza não apenas Israel, mas também “os que ficaram em silêncio” diante dos massacres e da destruição de Gaza.
“Confio a vocês a Palestina – a joia da coroa do mundo muçulmano, o coração pulsante de cada pessoa livre. Confio a vocês seu povo e suas crianças inocentes, cujos corpos foram esmagados sob milhares de toneladas de bombas e mísseis israelenses.”
O jornalista também pediu proteção e apoio à sua família: a filha Sham, o filho Salah, sua mãe e sua esposa, Bayan, descrita como “inquebrantável como o tronco de uma oliveira”.
Apelo pela libertação e memória de Gaza
Al-Sharif convocou a comunidade internacional e defensores dos direitos humanos a não se deixarem “calar por correntes” nem “conter por fronteiras”, conclamando-os a serem “pontes para a libertação da terra e de seu povo”.
“Se eu morrer, morro firme em meus princípios. Peço a Deus que aceite meu sangue como luz para iluminar o caminho da liberdade para meu povo. Não esqueçam Gaza… e não me esqueçam em suas orações.”
A morte de al-Sharif e de seus colegas reacende o debate global sobre a segurança de jornalistas em zonas de conflito e as graves violações do direito internacional humanitário. Organizações de imprensa e entidades de direitos humanos têm reiterado que ataques deliberados contra repórteres configuram crimes de guerra e exigem responsabilização.
Desde o início da guerra em 7 outubro de 2023, pelo menos 61 mil palestinos foram mortos.
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