Você que paga: manter Eduardo Bolsonaro deputado morando nos EUA vai custar R$ 200 mil/ mês

Você que paga: manter Eduardo Bolsonaro deputado morando nos EUA vai custar R$ 200 mil/ mês

Mesmo sem legislação Câmara cria a figura do “deputado internacional”

Na prática serão gastos cerca de R$ 200 mil por mês pagos com dinheiro público para manter um parlamentar que está fora do país. Em cinco meses de 2025, em que Eduardo Bolsonaro (PL-SP) continuou recebendo a verba de gabinete,  os gastos ultrapassaram R$ 520 mil . No acumulado do ano, a conta pode chegar a quase R$ 2 milhões. 

Mesmo sem cumprir suas funções no Brasil, Eduardo Bolsonaro pesa no bolso da população. O deputado recebe R$ 46 mil de salário por mês e ainda conta com uma verba de gabinete de cerca de R$ 133 mil mensais para custear assessores e estrutura em Brasília.

Com a decisão de nomeá-lo Líder da Minoria, os deputados de extrema-direita com o apoio do presidente da Câmara dos deputados, Hugo Motta (Republicanos), criaram uma

anomalia que permite a uma pessoa que mora fora do Brasil e está ausente  da Câmara há 7 meses permaneça atuando como representante da população de São Paulo e seja pago com dinheiro público.

Empoderado e afrontoso

Após ser nomeado pelo PL como o novo líder da minoria na Câmara dos Deputados, Eduardo Bolsonaro (PL-SP) usou as redes sociais para comemorar a manobra que o blindará de uma possível cassação e, ao mesmo tempo, disparar novas ameaças contra o Brasil.

Como novo líder da minoria, Eduardo Bolsonaro afirmou que, caso a anistia ao seu pai não seja aprovada, o país enfrentará uma crise “prolongada”. Ou seja, o parlamentar dobrou a aposta e voltou a ameaçar o funcionamento das instituições brasileiras.

“Obrigado pelo gesto, Dep. Carol De Toni. Apenas a ANISTIA AMPLA, GERAL E IRRESTRITA será capaz de pacificar o Brasil e permitir o meu retorno e o bom desempenho das funções parlamentares. Qualquer coisa diferente disso fará o Brasil parar no tempo, prolongando o atual cenário”, disparou Eduardo Bolsonaro.

Como Líder da Minoria, Eduardo Bolsonaro tem status de líder e garante prerrogativas especiais no funcionamento do Parlamento — entre elas, a dispensa de justificar presença em plenário. Com isso afasta o risco de perder o mandato por ausência.  Caroline de Toni (PL-SC), deve assumir a vice-liderança, cuidando da articulação presencial em Brasília.

Decisão dos extremistas deve ser questionada

A  nomeação de Eduardo Bolsonaro como Líder da Minoria entretanto não tem o poder de autorizar a ele o trabalho remoto,  muito menos atuação do exterior. Portanto, é possível que não exista base legal no Regimento Interno da Câmara que respalde a atuação ou o voto de Eduardo a partir dos Estados Unidos.

Eduardo vestiu o boné MAGA (Faça os EUA grandes), articulou sanções contra o Brasil, comemorou o tarifaço de 50% de Trump sobre os produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos e de lá ameaça as instituições brasileiras e a democracia no Brasil. Atua mais como um congressista da base de sustentação de Donald Trump do que como deputado do Brasil.

A consequência deste ato tresloucado dos deputados de extrema-direita com o auxílio da Direita, conhecida por Centrão, pode resultar na cassação do Partido Liberal, o PL, que protagonizou a articulação, uma vez que Eduardo Bolsonaro pode ser condenado e ter o nome incluído na lista vermelha da Interpol. Juristas como Pedro Serrano defendem ainda que Eduardo Bolsonaro tenha a cidadania brasileira cassada, o que o tornaria automaticamente sem mandato e inelegível.

Veja também

Governo inicia construção da 6ª ponte de Rio Branco

Governo inicia construção da 6ª ponte de Rio Branco

O governo do Acre, por meio do Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e …