Não consegue administrar o próprio país e quer administrar o mundo
Os Estados Unidos entrou em paralisação nesta quarta-feira (1º) após o Congresso não conseguir aprovar o projeto orçamentário para estender o financiamento federal. A paralisação tem início horas depois de o Senado rejeitar uma medida emergencial que manteria o governo funcionando até 21 de novembro, informa a Reuters. Com isso, uma série de serviços públicos deve ser suspensa já nas próximas horas.
É o chamado “shutdown”, expressão usada quando o governo não tem como executar serviços. Os EUA tem uma dívida de U$ 37 trilhões e só os juros da dívida atingem U$ 1 trilhão e 200 bilhões. Sem estender o financiamento federal, não tem como pagar. Um shutdown ocorre quando o governo é forçado a suspender parcialmente suas operações devido à falta de orçamento aprovado. Nesse cenário, uma série de serviços essenciais é interrompida, afetando milhões de cidadãos e funcionários públicos.
Isso está acontecendo porque o Congresso dos Estados Unidos condicionou a aprovação do financiamento à manutenção dos programas de assistência médica aos mais pobres, que estão prestes a expirar. Sem a extensão desses benefícios os custos com saúde para cerca de 24 milhões de pessoas aumentarão drasticamente com maior impacto para os moradores de estados controlados pelos Republicanos, como Florida e Texas que não implementaram medidas que garantam a cobertura médica para pessoas de baixa renda.
O governo pretende endurecer com ameaça de cortes adicionais de programas e de pessoal, com ameaças de demissões permanentes. “Vamos demitir muita gente. E eles serão democratas”, disse o presidente Donald Trump.
Com a paralisação, apenas serviços considerados essenciais continuarão funcionando, como segurança pública, fiscalização de fronteiras e parte do controle aéreo.
O “shutdown” também pode afetar turistas. Companhias aéreas alertam que atrasos em voos são prováveis nos próximos dias. A Administração Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês) informou que 11 mil funcionários serão enviados para casa.
Durante a paralisação, 13 mil controladores de tráfego aéreo terão de continuar trabalhando sem receber salário. Atualmente, os EUA enfrentam déficit de cerca de 3.800 controladores.
Ainda no setor do turismo, parques nacionais, museus e zoológicos federais também podem fechar ou ter serviços internos suspensos. A Estátua da Liberdade, em Nova York, e o National Mall, em Washington, devem interromper as visitas, por exemplo.
Agentes do FBI, da Guarda Nacional e de outras forças federais continuarão trabalhando, assim como patrulhas de fronteira e fiscalização de imigração. No Pentágono, mais da metade dos 742 mil funcionários civis será afastada. Cerca de 2 milhões de militares estadunidenses permanecerão em seus postos. A paralisação também pode atrasar a divulgação de dados econômicos importantes, afetando políticas públicas e investidores.
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