“O esporte abre portas e pode nos proporcionar aquilo que sempre sonhamos”. É com essa frase que Letícia Castro, atleta paralímpica acreana, define o caminho que vem trilhando após ingressar no parabadminton (badminton adaptado para pessoas com deficiência física) há cerca de um ano. Natural de Rio Branco, Letícia nasceu com uma má-formação na perna e utiliza uma prótese no dia a dia para locomoção e treino. Aos 16 anos, ela descobriu uma forma de se enxergar com mais leveza.
“Para nós, pessoas com deficiência, nada é impossível”, complementa a atleta, que esteve, no último fim de semana, em treinamento com outros jovens acreanos no Camping Escolar Paralímpico Regional, em Manaus (AM), promovido pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). Incentivada pelo professor de educação física, ela passou a ver na prática esportiva uma oportunidade de crescimento.
A mãe de Letícia, Maria José Oliveira, relembra os primeiros anos da filha: “Ela nasceu assim, já sem a parte da perna dela. No começo, tinha muita vergonha, não saía de casa, usava só calça comprida. Hoje é diferente. Ela se aceita, usa saia, usa bermuda. E essa é a segunda viagem dela, ano passado ela também foi para São Paulo por meio do esporte. É muito gratificante ver o jeito que ela está evoluindo, interagindo mais com outras pessoas que também possuem alguma deficiência. Mudou tudo na vida dela”.
Com a chegada da sua nova prótese, confeccionada pela Oficina Ortopédica da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Letícia agora tem mais conforto e segurança para continuar evoluindo no esporte. A agilidade da equipe técnica fez com que ela recebesse o equipamento a tempo de participar do treinamento em Manaus.
“Letícia já estava deixando de treinar porque a prótese antiga machucava muito. Quando fomos à oficina ortopédica, fomos muito bem atendidos. Em poucos dias, ela já estava com a nova prótese pronta e pôde embarcar para o Camping. Isso fez toda a diferença”, contou Shirlei Lessa, da Divisão de Esporte Paralímpico da Secretaria Extraordinária de Esporte e Lazer.
Como profissional que trabalha com inclusão, Shirlei diz se sentir muito feliz em poder acompanhar a trajetória de Letícia e dos outros atletas. “É muito gratificante presenciar o desenvolvimento dela, nós víamos que ela tinha potencial mas não conseguia avançar por conta da antiga prótese, que a machucava. Ver ela melhorando a cada dia é fantástico, almejo que ela avance com sucesso e sem dores. Fazer parte dessa história não tem preço”.
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