“Presente de Natal às facções”, diz Ministério da Justiça sobre proposta de Derrite

“Presente de Natal às facções”, diz Ministério da Justiça sobre proposta de Derrite

Integrantes do Ministério da Justiça classificaram como um “escândalo” o parecer do deputado Guilherme Derrite sobre o Projeto de Lei Antifacção. O texto prevê que a Polícia Federal só possa atuar de forma conjunta com forças estaduais quando houver solicitação do governador, o que, segundo técnicos da pasta ouvidos pela coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo, enfraquece o combate ao crime organizado.

Para o secretário de Assuntos Legislativos, Marivaldo Pereira, “Derrite quer criar barreiras à atuação da PF”, dando “um presente de Natal aos líderes de facções criminosas”. O bolsonarista se licenciou da Secretaria de Segurança de São Paulo para relatar o projeto.

O Ministério da Justiça afirma que a proposta cria condicionantes que ferem diretamente a Constituição. O secretário Nacional de Segurança Pública, Mário Sarrubbo, destacou que o artigo 144 não estabelece limites semelhantes. “Ele não pode impor condições que a Constituição não prevê”, afirmou.

Sarrubbo lembrou ainda que a legislação vigente já autoriza o Ministério da Justiça a determinar a atuação integrada da PF quando o crime tiver repercussão em mais de um estado. Um integrante da própria PF disse que o texto “não tem precedentes” e “querem claramente limitar a nossa atuação”, inclusive em investigações que envolvam autoridades.

Homens apontados como membros do Comando Vermelho presos em operação da polícia no Rio de Janeiro. Foto: Mauro Pimentel/AFP

Outro ponto crítico, segundo Marivaldo, é a tentativa de retirar da Justiça Federal a competência para investigar crimes em portos e aeroportos. Para ele, isso afastaria a PF das ações mais complexas contra organizações criminosas. “Isso traz um risco gigantesco inclusive para investigações em andamento”, disse.

O secretário afirmou também que o parecer cria insegurança jurídica ao abrir espaço para questionamentos constantes sobre a competência de cada esfera. “No mínimo, cria tamanha confusão que possibilitará a advogados questionarem o tempo todo”, avaliou.

A proposta deve enfrentar resistência no Congresso, especialmente entre partidos governistas. O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, afirmou que “isso é um escândalo” e comparou a iniciativa ao retorno da “PEC da Blindagem”.

Segundo Lindbergh, o objetivo é impedir que a Polícia Federal investigue organizações criminosas com autonomia. Para ele, a imposição de condicionantes inconstitucionais fragiliza o combate ao crime organizado e ameaça operações já em curso. As informações são do DCM

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