O governo Donald Trump publicou nesta sexta, 5, um documento atualizando sua
estratégia de segurança nacional (National Security Strategy), onde descreve quais são os interesses essenciais dos EUA, dando destaque ao “Corolário Trump”, nova estratégia da Doutrina Monroe, Leia o documento oficial
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A mensagem é assustadora
O documento que irá nortear a política externa dos Estados Unidos mostra claramente a intenção do governo Trump de adotar medidas que atendam aos seus interesses, de qualquer maneira: “Após anos de negligência, os Estados Unidos reafirmarão e farão cumprir a Doutrina Monroe para restaurar a preeminência americana no Hemisfério Ocidental e proteger nossa pátria e nosso acesso a regiões-chave em toda a região. Entenda-se, petróleo, minérios, terras raras e tudo o mais o que os EUA quiserem. “…quando necessário, o uso da força letal para substituir a estratégia fracassada baseada apenas na aplicação da lei nas últimas décadas; estabelecer ou ampliar o acesso em locais de importância estratégica”.
“Negaremos a competidores extrarregionais a capacidade de posicionar forças ou outras capacidades ameaçadoras, ou de possuir ou controlar ativos estrategicamente vitais em nosso hemisfério. Esse “Corolário Trump” à Doutrina Monroe é uma restauração lógica e poderosa do poder e das prioridades americanas, consistente com os interesses de segurança dos EUA”, reforça o documento.
Em livre tradução significa, as Américas do Sul e Central constituem o nosso território e aqui podemos atuar livremente de acordo com os nossos interesses, independente de leis locais, sem respeitar regras ou limites impostos pelos direitos nacionais ou internacionais.
Ele ainda destaca a intensificação da presença militar para enfrentar o que chama de ameaças urgentes em nosso hemisfério.
Trump ainda fala em instruir a CIA para identificar pontos estratégicos de recursos na América Latina. E faz um alerta- não importa a ideologia desde que se submetam aos interesses dos EUA.
Doutrina Monroe
A Doutrina Monroe, formulada em 1832, defendia que nenhuma potência europeia deveria interferir nos assuntos das Américas. Foi usada para justificar as invasões em Cuva, Haiti, Nicarágua e República Dominicana e para dar amparo aos golpes militares nos anos 1960 e 1970, no Brasil, Argentina, Chile e Uruguai.
O “Corolário Trump” acrescido à Doutrina Monroe, dá aos EUA o direito de subjugar as Américas do Sul e Central através do controle militar e econômico como bem entenderem, como mostra outro trecho da Estratégia, diz: “Negaremos a concorrentes de fora do Hemisfério (China, Rússia, grifo meu), a capacidade de posicionar forças ou outras forças ou outras capacidades ameaçadoras, ou de possuir ou controlar ativos estrategicamente vitais, em nosso Hemisfério”.
Ou seja, os países das três Américas não poderão negociar produtos dos interesses dos Estados Unidos com países de outros continentes.
O documento nos rebaixa definitivamente a quintal dos EUA e é exatamente assim que nos define: “a América Latina é nosso quintal estratégico e não deve ser influenciada por outras potências”.
O Corolário Trump à Doutrina Monroe é simples e assustador: submetam-se ou sofrerão as consequências.
