Defensoria Pública do Acre firma acordo com INSS para acelerar devolução de valores cobrados indevidamente de aposentados

Defensoria Pública do Acre firma acordo com INSS para acelerar devolução de valores cobrados indevidamente de aposentados

 

A Defensoria Pública do Acre firmou um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para facilitar o atendimento a aposentados e pensionistas que tiveram descontos associativos feitos sem autorização em seus benefícios. O problema afetou milhares de pessoas em todo o país entre março de 2020 e março de 2025 e gerou reclamações de beneficiários que viram valores reduzidos no extrato sem saber de qual entidade vinham essas cobranças.

Esses “descontos associativos” deveriam ser realizados apenas quando o segurado autoriza filiação a uma associação. Mas, durante anos, muitos aposentados passaram a ser cobrados sem consentimento, com uso de documentos falsos ou cadastros indevidos. A situação levou à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) na ADPF 1236, que suspendeu essa forma de desconto até que as pendências fossem revisadas e os valores indevidos devolvidos.

Atendimento mais rápido

Com a assinatura do ACT nº 216/2025, a Defensoria passa a ter acesso direto, seguro e controlado aos processos administrativos de ressarcimento mantidos pelo INSS. Esse acesso será usado exclusivamente para defender aposentados e pensionistas que contestam cobranças irregulares, conforme previsto na Cláusula Primeira do acordo.

Na prática, isso vai permitir que a equipe da Defensoria consulte rapidamente a documentação que o INSS possui sobre cada caso, inclusive quando há suspeita de falsidade documental ou vício de consentimento, evitando que o beneficiário precise percorrer diferentes canais ou aguardar prazos longos para obter informações.

Por que isso importa

Antes do acordo, muitos segurados procuravam a Defensoria sem ter acesso ao processo administrativo aberto no INSS. Em grande parte dos casos, o aposentado nem sabia qual “associação” teria feito o desconto, porque esses valores apareciam no extrato apenas como mensalidades genéricas.

Com o novo fluxo, a Defensoria terá condições de:

• identificar com mais rapidez se houve autorização válida;
• verificar se há documentos falsificados ou assinaturas suspeitas;
• pedir cópias integrais do processo de ressarcimento;
• orientar corretamente cada beneficiário sobre seus direitos;
• acompanhar a devolução dos valores cobrados indevidamente.

Todas essas etapas serão feitas com proteção de dados e sigilo, conforme exigido pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), explicitamente prevista no acordo.

 

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