Kassio apontou que somente no ano de 2025 “cerca de 55 municípios, de 17 estados diferentes, criaram loterias” após o início da ação, movimento que ele avalia como problemático para a regulação nacional do setor.

O ministro escreveu que o “chancelamento dessa sistemática difusa e pulverizada” dificulta a uniformização de critérios e regras de publicidade, além da “tutela dos direitos do consumidor e da saúde do usuário”. Na avaliação dele, embora municípios possam legislar sobre assuntos locais e suplementar normas federal e estadual, o limite é que o tema esteja inserido no “interesse local”.

Ele questiona diretamente esse ponto: “Indaga-se: a exploração material-administrativa dos serviços públicos de loteria é também de interesse local?”. Em seguida, Kassio responde negativamente: as apostas de quota fixa, afirma, não têm relação direta com necessidades imediatas da população de um município.

O ministro registra que, apesar da popularização das apostas, “o princípio da realidade evidencia o contrário”: regular, fiscalizar e proteger usuários exige estrutura nacional e padrão unificado, o que extrapola “e muito – os limites do interesse municipal”. Por isso, ele considera que apenas a União pode disciplinar o setor. As informações são do DCM