Em meio a vazamentos seletivos, Dias Toffoli colocou Alcolumbre como guardião das informações sigilosas do banqueiro
As investigações da Polícia Federal (PF) e da Receita Federal (RF) que desencadearam as operações Compliance Zero, sobre os negócios de Daniel Vorcaro, e Poço Lobato, com foco no grupo Refit de Ricardo Magro, e as conexões com a Carbono Oculto, que apura o elo do Primeiro Comando da Capital (PCC) na Faria Lima e seus lobistas, está provocando alvoroço nos bastidores do poder, em Brasília, especialmente em figuras proeminentes do Centrão.
Na última sexta-feira (12), o temor foi explicitado pela decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), que retirou o acesso de integrantes da CPMI do INSS dos documentos das quebras de sigilos bancário, fiscal e telefônico de Vorcaro, um dos sócios do Banco Master.
Pela decisão do ministro, os documentos deverão ser retirados da CPMI e enviados para a presidência do Senado, onde somente Davi Alcolumbre (União-AP) terá acesso.
Em meio à revolta dos membros da CPMI, começaram a surgir na mídia liberal, publicadas a conta gotas, informações sobre o conteúdo desses documentos.
O destaque, até o momento, tem sido os dados do WhatsApp do banqueiro e um contrato, em formato digital, com o escritório de Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no valor de R$ 3,6 milhões mensais – leia mais detalhes abaixo.
Enquanto o nome de Moraes e da esposa foram divulgados, para delírio de bolsonaristas, uma lista de contatos, incluindo os do próprio Dias Toffoli e de Alcolumbre, que estavam no WhatsApp de Vorcaro não proliferam no noticiário político e econômico.
Além dos dois, outro ministro insuspeito está na lista de contatos de Vorcaro, mas pouco tem aparecido: Kássio Nunes Marques.
Além disso, há uma lista de um governador, Ibaneis Rocha (MDB-DF) – envolvido na negociata de compra do Master pelo Banco de Brasília – cinco senadores e um deputado.
Além de Alcolumbre, os parlamentares listados são figuras proeminentes do Centrão, como o senador Ciro Nogueira, presidente do progressistas, autor da conhecida “Emenda Master”, apresentada em 2024 junto à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da autonomia financeira do Banco Central.
A emenda de Nogueira aumentaria de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para as aplicações financeiras como o CDB, principal produto do banco Master. O FCG é a instituição que hoje está bancando as dívidas do agora liquidado Master.
Além de Nogueira, constam na lista de Vorcaro o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o seu antecessor, Arthur Lira (PP-AL).
No entanto, em relação a esses políticos, as informações não foram vazadas pela mídia liberal – segundo Malu Gaspar, d’O Globo só constariam os contatos. E nada mais.
Por Moraes e Viviane?
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), responsável por analisar operações que envolvem concorrência no sistema financeiro, afirma não haver nenhum registro da atuação do escritório da advogada Viviane Barci de Moraes no contrato milionário firmado com o Banco Master.
O acordo, revelado anteriormente pela imprensa, estabelecia o pagamento de R$ 3,6 milhões por mês ao escritório Barci de Moraes Associados, pelo período de três anos. Assinado em 16 de janeiro de 2024, o contrato poderia render cerca de R$ 130 milhões até o início de 2027, caso fosse executado integralmente.
No documento, o Cade aparece como um dos órgãos estratégicos para a atuação do escritório, ao lado do Banco Central, da Receita Federal e da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. A autarquia, vinculada ao Ministério da Justiça, teve papel relevante na análise da tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), anunciada em março deste ano.
Apesar de o Banco Central ter barrado a operação após identificar irregularidades na venda de créditos do Master ao BRB, o Cade aprovou a transação sem impor restrições, em junho.
Ainda assim, segundo informou a assessoria do órgão, não houve qualquer reunião com Viviane Barci de Moraes ou representantes de seu escritório para tratar da operação ou de outros temas relacionados ao banco desde, pelo menos, janeiro de 2024 — período que coincide com o início da vigência do contrato.
O nome do escritório Barci de Moraes também não aparece nos autos do processo analisado pelo Cade. A defesa do Banco Master no órgão foi feita pelo escritório Pinheiro Neto.
Procurados, o Banco Master e o escritório da advogada não informaram em quais causas houve atuação efetiva nem esclareceram quanto foi pago, de fato, do valor total previsto no contrato.
BRB e o elo Ibaneis
A negociação envolvendo o Banco Master ocorre em meio a investigações sobre supostas fraudes contábeis. De acordo com o Ministério Público Federal, o BRB decidiu aportar recursos e avançar na aquisição do banco privado para evitar sua quebra, mesmo diante de indícios de irregularidades graves.
Segundo o procurador da República Gabriel Pimenta, o Banco Master teria comercializado carteiras de créditos inexistentes, que apenas em 2025 somariam R$ 12,2 bilhões. Ainda assim, conforme o MPF, a direção do BRB manteve a tentativa de aquisição até a negativa definitiva do Banco Central.
Para o Ministério Público, o comportamento dos gestores do banco público indica que eles tinham conhecimento das fraudes. “Esse comportamento demonstra que os gestores do banco público não foram enganados pela administração do Master, mas, ao contrário, tinham plena consciência e participaram das fraudes”, afirmou o procurador.
Ainda segundo o MPF, a operação de compra não teria sido apenas uma tentativa de salvar uma instituição privada, mas também uma forma de ocultar crimes contra o sistema financeiro nacional e contra o patrimônio público do Distrito Federal.
Com pedidos de impeachment feito por bolsonaristas na gaveta, que podem ser usados para achacar Moraes, Davi Alcolumbre se tornou o guardião dos documentos de Daniel Vorcardo, do Master, que busca a todo custo manter a influência no grupo político e de poder suspeito de ter financiado. Com informações da Fórum
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