Números mostram tragédia social de nossa época

Números mostram tragédia social de nossa época

Apesar das campanhas de doutrinação política que dominam o cotidiano de nossa época, alimentando os principais grupos de mídia do planeta e distorcendo o debate ideológico, já não é possível esconder a dura realidade social do planeta. Os dados estão aí, à disposição de quem estiver interessado em debater a realidade social a partir de fatos reais e números consistentes.

Apurados pelos pesquisadores da equipe de Thomas Piketty, um dos mais respeitados estudiosos da vida social do planeta, com pesquisas essenciais sobre desigualdade social e distribuição de renda, os números acabam de sair do forno, na conclusão de um estudo inédito em escala internacional (Folha de S. Paulo, 10/12/2025).

Os dados confirmam os traços essenciais da economia capitalista de nossos dias, agravados pelo avanço das privatizações e pelo desmanche de conquistas sociais ocorridas nas últimas décadas. Para ficar em grandes números, que descrevem com crueza uma realidade que é possível observar no cotidiano de povos e países, ali se informa que:

— enquanto os 50% mais pobres do planeta sobrevivem com 8% da renda disponível, as camadas intermediárias, que representam 40% da população, ficam com 38% da renda; já os 10% mais ricos concentram 53% da renda;

— entre 1995 e 2025, a minúscula fatia dos 0,001% mais ricos ficou com 6% da riqueza global, contra 2% partilhados entre os 50% mais pobres;

— como era fácil de se imaginar, o Brasil se encontra em um patamar dramático. Enquanto os 10% mais ricos ficam com 59,1% da renda do país, os 50% mais pobres dividem 9,3%, em um quadro mais grave do que o da Turquia, onde a fatia dos mais pobres fica em 15,2% e a dos ricos, em 53,3%, e o da Argentina, onde o andar de baixo recebe 12,2%, contra 45,1% para a camada endinheirada.

Apurado em um período de exaltação do Estado mínimo e de desmanche de políticas de bem-estar social e de distribuição de renda, este quadro dramático sobre os rumos do planeta deve servir como referência indispensável nos debates políticos de nossa época.

Alguma dúvida?

 

 

Por Paulo Moreira Leite

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