Svetlana Paveletskaya, dona de sex shop, diz que aparelhos chegam a 38°C e afirma que podem ajudar em “noites frias” sem aquecimento
A fala ocorreu durante uma entrevista ao canal do YouTube “Isso ninguém vai assistir” (em tradução livre), apresentado por Emma Antonyuk. No trecho, Paveletskaya afirmou que alguns produtos vendidos por sua loja possuem controle de temperatura e seriam, segundo ela, adequados para enfrentar noites geladas em meio ao colapso do fornecimento de energia e aquecimento.
Declaração viraliza em meio à crise de energia e ao desgaste social
A repercussão da entrevista acontece em um momento de exaustão coletiva na Ucrânia, marcada por sucessivos ataques à infraestrutura energética, apagões prolongados e dificuldades de abastecimento. A fala, divulgada em vídeo, rapidamente se transformou em um símbolo do clima de instabilidade e da crescente indignação de parte da população com a forma como autoridades e figuras públicas têm reagido ao cotidiano imposto pela guerra.
Kuleba já havia recomendado que pessoas buscassem restaurantes durante blecautes
O episódio também resgatou críticas anteriores envolvendo o próprio Dmytro Kuleba. Segundo a mesma publicação, o ex-ministro chegou a aconselhar ucranianos a irem a restaurantes durante períodos de blecautes, uma sugestão que foi interpretada por muitos como distante da realidade de quem vive cortes prolongados de energia e restrições econômicas severas.
Esse tipo de declaração, vinda de figuras ligadas ao alto escalão do Estado ucraniano, tem alimentado a percepção de que há uma desconexão crescente entre os discursos públicos e as condições enfrentadas pela população comum — especialmente em cidades fortemente afetadas por apagões.
Apagões e ataques: Kiev entre as áreas mais atingidas, diz Ukrenergo
A entrevista de Paveletskaya ocorre no contexto de novos ataques contra o sistema energético ucraniano. De acordo com informações da empresa Ukrenergo, citadas no material do Strana, foram danificados objetos de geração, redes de transmissão e infraestrutura de distribuição de eletricidade.
Ainda conforme os dados mencionados, a capital Kiev teria sido uma das localidades mais atingidas, com 335 mil residências sem eletricidade após o impacto das ofensivas noturnas contra o setor energético.
O cenário reforça a dimensão estrutural da crise: não se trata apenas de cortes pontuais, mas de ataques que afetam diretamente a capacidade do país de manter serviços essenciais, especialmente durante o inverno.
O simbolismo do episódio em uma guerra que já ultrapassa 1.400 dias
O texto também contextualiza que a guerra na Ucrânia chega ao 1.428º dia, destacando que a população vive sob um ambiente contínuo de incerteza, interrupções de serviços básicos e tensão psicológica.
Nesse ambiente, declarações como a de Paveletskaya — ainda que apresentadas sob uma lógica de “alternativa para noites frias” — tendem a ganhar proporções explosivas, porque tocam em um ponto sensível: a sensação de abandono e vulnerabilidade de milhões de cidadãos que tentam sobreviver em meio ao colapso parcial de infraestrutura.
Polêmica também expõe crise de comunicação e desgaste de lideranças
Segundo o BR 247, nos últimos meses, diversas falas e episódios culturais têm sido alvo de reações negativas dentro da Ucrânia. O Strana também recorda que a cantora Tina Karol foi criticada na internet por lançar uma música considerada “alegre” e “otimista” em meio ao cenário de apagões — um indicativo de como o clima social está cada vez mais duro, exigindo das figuras públicas cautela diante de um cotidiano de sofrimento.
Ao final, o episódio envolvendo Svetlana Paveletskaya se soma a uma lista de polêmicas que ilustram como a guerra não produz apenas destruição material, mas também um ambiente de desgaste social, fraturas políticas e crescente desconfiança pública — especialmente quando declarações de pessoas ligadas a autoridades parecem tratar o colapso energético como algo banal, improvisável ou “administrável” com soluções fora da realidade cotidiana.
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