Os arquivos sobre o criminoso Jeffrey Epstein divulgados pelos EUA no dia 30 de janeiro indicam que a extrema-direita roubou a eleição presidencial brasileira de 2018 dando a vitória ao fascista Jair Bolsonaro, usando o mesmo tipo de fraude que já havia beneficiado a eleição de Donald Trump de 2016, ligada ao chamado Escândalo do Facebook.
Epstein, que além de pedófilo e traficante sexual, era um expoente político da direita ultrarreacionária estadunidense, em seus arquivos aparece citando Bolsonaro e sua campanha eleitoral em 74 e-mails, mostrando a atenção/preocupação do comando internacional direitista com o sucesso ou insucesso da tática ilegal aplicada no Brasil.
Esconder nos bastidores
Em um dos mails enviados a Epstein citando Bolsonaro, o assessor de Trump e encarregado pelo esquema de fraude nos EUA e Brasil, Steve Bannon, escreve que é preciso esconder sua ligação com a campanha de Bolsonaro dizendo: “Tenho que manter essa coisa do Jair nos bastidores.” Na mesma época cá no Brasil, por “coincidência”, Bolsonaro e filhos passaram a negar que Bannon estivesse ajudando a equipe eleitoral, algo que era antes anunciado e confirmado pelo filho Eduardo.
Como foi o truque
O esquema ilícito que deu a vitória ao bolsonarismo foi dissecado pela revista Carta Capital em reportagem de André Barrocal de 19 de outubro de 2018.
A seguir, um resumo adaptado:
Será que o bolsonarismo está por trás de um certo acontecimento de meados de setembro, quando um momento que o seu rival no duelo final de 28 de outubro, Fernando Haddad, do PT, mergulhava na campanha e despontava como favorito?
Em 25 de setembro, o Facebook anunciou ter sido hackeado. Em 12 de outubro, informou que a invasão começou provavelmente em 14 de setembro. Foram “roubados” os dados de 400 mil usuários e, a partir desse “roubo”, os hackers obtiveram informações sobre 30 milhões de pessoas.
Dentre as vítimas, 29 milhões tiveram descobertos o número de telefone e o e-mail. De metade, os hackers conseguiram saber também: o nome da pessoa, gênero sexual, idioma, estado civil, religião, cidade natal, data de nascimento e 15 últimas pesquisas feitas na internet.
Há relação entre o hackeamento do Facebook e a “guerrilha” digital de Bolsonaro?
A campanha do ex-capitão repete estratégias verbais e operacionais de Donald Trump na disputa pela Casa Branca em 2016. Um dos filhos de Bolsonaro, Eduardo, esteve em agosto, em Nova York, com o principal estrategista de Trump na campanha, Steve Bannon.
A principal maneira de as mensagens políticas de Bannon chegarem aos eleitores e influenciá-los dependeu de “roubo” de dados do Facebook. Uma operação via Cambridge Analytica (CA), um escândalo que veio a público na imprensa mundial em março passado.
(Vice-dirigida até 2016 pelo próprio Steve Bannon) a CA foi criada em 2014 por um bilionário americano, Robert Mercer, para ajudar políticos conservadores nos EUA. Um dos colaboradores da empresa, Cristopher Wylie, foi quem deu a resposta sobre como influenciar da maneira mais potente os eleitores americanos.
Segundo Wylie, era preciso montar um perfil psicológico do eleitorado, e a melhor fonte para isso era o Facebook.
E o Brasil com isso? A CA aterrissou aqui em 2017. Fez parceria com um publicitário baiano, André Torretta, da Ponte Estratégia, e daí nasceu a CA Ponte. Em entrevistas, Torretta dizia que teria de montar um banco de dados, pois não havia uma base brasileira criada a partir do Facebook.
Será que o hackeamento do Facebook em setembro foi feito para montar um banco psicosocial de dados para uso em favor de Bolsonaro?
CartaCapital questionou o Facebook sobre a nacionalidade das vítimas dos hackers, mas a empresa não quis informar. Recorde-se: o hackeamento aconteceu entre 14 e 25 de setembro. A evolução de Bolsonaro nas pesquisas mostra que ele mudou de patamar depois disso.
No Ibope, por exemplo, ele oscilou em torno de 28% entre 11 e 26 de setembro. A partir do dia 1o de outubro, mudou de patamar. Rompeu a barreira dos 30%, alcançou 31%
Não foi só isso. Enquanto Bolsonaro subia nas pesquisas, a rejeição de Haddad fazia o mesmo. O petista havia entrada oficialmente na campanha em 11 de setembro, data em que o PT o substituiu na Justiça eleitoral como candidato no lugar de Lula. De 11 a 26 de setembro, a rejeição a Haddad variou entre 23 e 27%. A partir de 1o de outubro, mudou de patamar: chegou a 38%.
Haddad já disse que sua imagem foi abalada por uma campanha difamatória, movida a mentiras, da parte da equipe de Bolsonaro.
Será que essa ação difamatória foi bem sucedida graças a um banco psicosocial de dados de brasileiros montado a partir do hackeamento do Facebook? Em 4 de outubro, três dias antes do primeiro turno da eleição daqui, uma empresa americana de cibersegurança, a FireEye,informou à Folha de S.Paulo que havia hackers tentando interferir na eleição brasileira.
Seria através das redes sociais e da manipulação de medos das pessoas, como a Cambridge Analytica fez na eleição de Donald Trump.
A Folha noticiou (18 outubro de 2018) que empresários bolsonaristas pagaram até 12 milhões de reais para difamar o PT com disparos em massa de fake news e conteúdos favoráveis a Bolsonaro nas redes sociais.
A atuação da CA na eleição americana de 2016 tem sido investigada nos EUA. E no Brasil? Haverá alguma investigação das pistas sobre o uso de métodos da Cambridge Analytica pela campanha de Jair Bolsonaro? As informações são de A Nova Democracia
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