Caso do Irã sublinha a importância da “guerra de informações” nas redes
Mobina Beheshti, Amir Abbas Raynai, Ali Khani, Noya Zion, Mohammad Rasoul Bayati, Reza Niknam, Ali Alipour, Saghar Etemadi, Diana Bahador, Negin Ghadimi e Nasrin Zaremanesh ‘morreram’ na onda de protestos que chacoalhou o Irã, a partir de dezembro de 2025.
Só que não.
As vítimas ou inexistem ou estão vivinhas. Os nomes delas fizeram parte de uma onda de fake news para produzir comoção no Irã e levar manifestantes às ruas.
Em recente depoimento ao Congresso dos Estados Unidos, o secretário do Tesouro Scott Bessent admitiu que os EUA estavam por trás da engenharia financeira que desembocou nos protestos:
O que fizemos foi criar uma escassez de dólares no país. [Foi um] ápice rápido e, eu diria, grandioso em dezembro, quando um dos maiores bancos do Irã faliu.
Os protestos começaram no final de dezembro quando a moeda local, o rial, derreteu.
Mortos-vivos
Valeu tudo para derrubar a República Islâmica durante as manifestações.
A morte de Mobina Beheshti, de 21 anos de idade, por conta da repressão, causou comoção.
Ela reapareceu viva num vídeo para desmentir as fake news.
Trata-se da israelense Noya Zion, cuja foto circulou como sendo a de uma vítima.
No Telegram, uma conta publicou montagem de várias supostas vítimas da repressão iraniana e citou Kourosh Shirini como morto. Na verdade, a foto é de David Bennet, filho do ex-primeiro-ministro de Israel Naftali Bennett.
O ex-boxeador Ali Alipour, da cidade de Pol-e Dokhtar, teria sido preso e torturado por agentes do governo, pela denúncia que apareceu nas redes sociais.
Na verdade, de acordo com a família, ele morreu de um problema no coração no dia 22 de janeiro de 2026.
Diana Bahador, filha de uma influencer do Irã, teria sido martirizada pelo regime, mas a família informou que ela morreu em um acidente de automóvel.
De acordo com o regime dos aiatolás, 3.117 pessoas morreram na mais recente onda de protestos, número que é contestado por ONGs da oposição iraniana baseadas fora do país.
Teerã argumenta que foi alvo de uma grande campanha de desinformação nas redes bancada por Estados Unidos e Israel.
Por Luiz Carlos Azenha
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