A saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso Banco Master redefine os rumos da investigação no Supremo Tribunal Federal (STF), mas não anula as provas já produzidas pela Polícia Federal. Em reunião a portas fechadas nesta quinta-feira (12), os ministros decidiram que o processo permanecerá na Corte e será redistribuído a outro relator, garantindo continuidade às apurações sobre suspeitas de fraudes bilionárias envolvendo a instituição financeira.
A principal consequência da decisão é evitar que a investigação volte à estaca zero. Como o STF rejeitou a suspeição de Toffoli, todos os atos praticados por ele foram mantidos. Isso significa que depoimentos, mandados de busca, perícias e demais diligências seguem válidos e poderão ser utilizados pelo novo relator.
Em nota conjunta, os ministros afirmaram “não ser caso de cabimento para arguição de suspeição” e reconheceram “a plena validade dos atos praticados pelo Ministro Dias Toffoli”.
O caso muda de condução após meses de controvérsias envolvendo decisões do magistrado, como a imposição de sigilo rigoroso sobre provas e medidas consideradas incomuns durante a investigação. A expectativa entre integrantes do tribunal é que a nova relatoria imprima um ritmo mais técnico e permita que Polícia Federal e Banco Central atuem sem interferências, enquanto o processo segue sob supervisão do STF.
A crise se intensificou após a Polícia Federal entregar ao presidente da Corte, Luiz Edson Fachin, relatório com mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e de Fabiano Zettel, nas quais discutem pagamentos à empresa Maridt, da qual Toffoli é sócio.
O ministro confirmou que “faz parte do quadro societário” da empresa e declarou que “jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro”. Também afirmou que “jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel”.
Com a redistribuição, o novo relator herdará todo o material reunido até agora, incluindo dados telemáticos, laudos periciais e documentos apreendidos em operações da Polícia Federal. A decisão também preserva a competência do STF para conduzir o caso, afastando a possibilidade de envio imediato à primeira instância.
Reunião que decidiu afastar Toffoli do caso Master teve momentos de tensão e críticas à Polícia Federal
A reunião que definiu a saída do ministro Dias Toffoli da relatoria da investigação envolvendo o Banco Master foi marcada por discussões consideradas tensas e por manifestações de solidariedade dentro do Supremo Tribunal Federal (STF). O encontro, que durou mais de três horas, também incluiu críticas à atuação da Polícia Federal (PF) e articulações para conter o impacto político do episódio.
Segundo os relatos, o encontro começou com um debate sobre mensagens encontradas nos celulares de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Diante das evidências apresentadas, Toffoli teria respondido ponto a ponto e reforçado o argumento já sustentado publicamente de que os recursos recebidos foram devidamente declarados à Receita Federal.
Na sequência, os ministros passaram a discutir qual seria o melhor encaminhamento para a arguição de suspeição que havia sido levantada contra Toffoli. De acordo com as informações repassadas à CNN Brasil, o grupo chegou a um consenso de que a melhor alternativa seria arquivar o procedimento, estratégia vista como uma forma de reforçar o discurso de defesa do magistrado e, ao mesmo tempo, apresentar uma reação institucional à crise.
Agora é com André Mendonça
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi escolhido nesta quinta-feira (12) novo relator do inquérito que trata sobre as fraudes do Banco Master na Corte.
A escolha do ministro foi feita de forma eletrônica após Dias Toffoli pedir para deixar a relatoria do caso, depois de a Polícia Federal (PF) ter informado ao presidente da Corte, Edson Fachin, que há menções a Toffoli em mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, que teve o aparelho apreendido durante busca e apreensão.
A menção está em segredo de Justiça.
A partir de agora, os próximos passos da investigação serão comandados por Mendonça, que também é relator do inquérito que trata dos descontos indevidos de mensalidades associativas nos benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Impeachment de Toffoli tem chances reais de ser votado no Senado
Embora Alexandre de Moraes seja o recordista em número de representações, é Toffoli quem se encontra em situação mais delicada neste momento. A avaliação publicada aponta que o ministro aparece cada vez mais envolvido no caso do Banco Master, cujo desdobramento passou a atingir diretamente sua imagem dentro e fora do Supremo.
A situação ganhou novos contornos após vir a público que a Polícia Federal pediu a suspeição de Toffoli em razão de seu envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Conforme relatado na coluna, foram encontradas conversas entre o empresário e o ministro em celular apreendido pela PF. Também teriam sido identificadas menções a Toffoli em trocas de mensagens entre Vorcaro e terceiros.
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