A Organização das Nações Unidas manifestou “grave preocupação” após a divulgação de um relatório da Human Rights Watch que aponta o uso de munições de fósforo branco pelo Exército de Israel no sul do Líbano. Segundo o relatório, as forças israelenses teriam utilizado “munições de fósforo branco sobre casas em 3 de março de 2026 na cidade libanesa de Yohmor, no sul do país”.
A organização afirmou, na última semana, ter “verificado e geolocalizado oito imagens que mostram munições de fósforo branco detonando no ar sobre uma área residencial da cidade e trabalhadores da defesa civil respondendo a incêndios em pelo menos duas casas e um carro naquela região”.
“A situação humanitária no Líbano está se deteriorando muito rapidamente”, disse. Ele acrescentou que as ordens de evacuação continuam em vigor no sul do Líbano e nos subúrbios ao sul de Beirute, o que tem provocado novos deslocamentos em massa de civis.
“Isso está forçando civis a se deslocarem em grande escala mais uma vez”, afirmou. O porta-voz acrescentou que o sistema de saúde também está sendo fortemente afetado. “Os serviços de saúde continuam sendo impactados, com cinco hospitais e dezenas de centros de atenção primária tendo encerrado suas operações”, disse o porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric.
Consequências do fósforo branco
O fósforo branco é uma substância química com propriedades incendiárias que queima a altas temperaturas, chegando a 800°C, e causa queimaduras graves e potencialmente fatais ao entrar em contato com a pele. Seu efeito é tão persistente que, mesmo após a remoção de ataduras, a ferida pode reacender em contato com o oxigênio. A fumaça liberada é altamente tóxica e, se inalada, pode intoxicar o sistema respiratório e a corrente sanguínea.
Apesar de seus efeitos devastadores, o fósforo não é citado nominalmente como arma proibida em convenções internacionais, o que gera controvérsia sobre sua classificação legal.
“A bomba de fósforo branco pode ser classificada de duas maneiras – como uma arma incendiária ou como uma arma química”, explicou Tarciso Dal Maso Jardim, especialista em direito internacional humanitário ao Nexo. Como arma incendiária, seu uso é proibido contra civis, mas permitido contra combatentes. Como arma química, seria vetado em qualquer circunstância.
O fósforo tem usos legítimos em operações militares, como iluminação de áreas noturnas, criação de cortinas de fumaça para proteção de veículos e sistemas de defesa que confundem mísseis guiados por calor. A legalidade do uso, segundo interpretação predominante, depende da forma como é empregado: permitido para fins táticos, mas ilegal se lançado deliberadamente contra civis ou em áreas civis.
Dal Maso discorda dessa leitura. “Pessoalmente, considero a bomba de fósforo branco uma arma química. Portanto, da forma como eu vejo, o uso dela é proibido em toda e qualquer circunstância, sem exceção”, afirmou. Com informações da AFP
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