EUA é investigado por intensificar exploração da Amazônia

EUA é investigado por intensificar exploração da Amazônia

Nove empresas envolvidas em casos de degradação ambiental, invasão de terras e violação de direitos indígenas receberam bilhões das maiores instituições financeiras do mundo

O Ministério Público Federal (MPF) abriu inquérito para investigar a atuação de empresas dos EUA  na extração e exploração ilegal de minérios em Terras Indígenas Yanomami, em Roraima. O processo apura a extração e exportação ilegal de 732,8 toneladas de cassiterita, elemento essencial para a fixação de componentes em placas de circuito (celulares, computadores, videogames) entre 2021 e 2022. A investigação se dá no contexto de nova corrida pela Farsa Eleitoral, onde o governo federal precisa “mostrar serviço” para sua base eleitoral em promessas não cumpridas sobre os direitos dos povos indígenas.

Além das empresas Gerald Metals SARL e MLS Berkowitz Investments LLC, o MPF voltou a investigar a mineradora Betser, liderada pelo empresário Christian Costa dos Santos, preso preventivamente em 2023 por exploração ilegal de minérios na mesma região e “inocentado” pela “justiça” burguesa.

A invasão e exploração ilegal de terras indígenas pelos Estados Unidos no Brasil não é novidade, principalmente as que pertencem ao povo Yanomami. O que chama a atenção é a intensificação na exploração da Amazônia: entre 2017 e 2020, nove empresas envolvidas em casos de degradação ambiental, invasão de terras e violação de direitos indígenas no Brasil receberam mais de US$18 bi das maiores instituições financeiras do mundo, como Bank of America BlackRock.

Segundo estudo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e da Amazon Watch, as empresas beneficiadas (Vale, Anglo AmericanBelo SunCargill, JBS, Cosan, Energisa Mato Grosso, Equatorial Maranhão e Eletronorte) estão envolvidas em contaminação de rios, invasão de áreas indígenas e ameaças em regiões como Amazonas, Roraima e Pará.

Em entrevista à Repórter Brasil, a coordenadora da Apib Dinaman Tuxá denunciou: “Há uma grande demanda do mercado global pelos produtos comercializados por essas empresas, e nós aqui estamos desprotegidos. Não há proteção para os povos indígenas. Estamos passando por uma situação de vulnerabilidade, com o financiamento dessas instituições norte-americanas”.

Ampliando a rapina sobre o país, o governo brasileiro decidiu vender para empresas dos EUA através da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), 19 blocos de exploração de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas, uma das áreas mais sensíveis do ponto de vista social e ambiental em junho do ano passado. Com isso, o Brasil concedeu aos Estados Unidos uma região estratégica em troca do valor insignificante de R$844 milhões em bônus de assinatura.

A empresa imperialista Potássio do Brasil LTDA. também aparece nas denúncias. Apesar do nome, a maioria esmagadora do seu capital é controlado por fundos londrinos, canadenses e australianos. Em 2024, teve aval do governo do Amazonas para a produção anual de 2,2 milhões de toneladas de cloreto de potássio por ano, em detrimento da Terra Indígena de Soares, do povo Mura.

Como não poderia ser diferente, houve brava resistência indígena, com lideranças locais afirmando que não aceitarão a exploração imperialista do seu solo. Em entrevista à Amazônia Real, o professor William Mura afirmou: “A gente não vai baixar a guarda e nem entregar nosso território. Se continuar como está, vai causar impacto e os Mura não vão aceitar”. Com informações da A Nova Democracia

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