Estadão detona “natureza degenerada” da família Bolsonaro após vídeo de Michelle

Estadão detona “natureza degenerada” da família Bolsonaro após vídeo de Michelle

Em editorial publicado neste sábado (27), o Estadão comparou a crise familiar dos Bolsonaro a um “dramalhão shakespeariano”, afirmando que o bolsonarismo nunca foi um projeto de país, mas uma “máquina de mobilização emocional” baseada em ressentimentos, antipetismo e desconfiança das instituições. A briga expõe a “natureza degenerada” do clã, que só se interessa por poder e privilégios, nunca por problemas reais como carestia, educação ou violência:

Se Shakespeare exagerasse um pouco no vinho, talvez escrevesse um dramalhão parecido com o que a família Bolsonaro ora protagoniza para todo o Brasil. Há de tudo ali: intrigas entre madrasta e enteados, o patriarca que não pode falar por si, conspiradores que instigam a cizânia e, sobretudo, a sede irrefreável de poder. Seria divertido, se fosse apenas uma peça de teatro. […]

Essa novela só interessa aos brasileiros na medida em que abre uma fresta para testemunhar o projeto político de uma família que fez da via eleitoral um atalho para a dolce vita.

[…]

Desde que Jair Bolsonaro deixou o Exército, migrou com sucesso para a política e construiu com os filhos algo que muito apropriadamente pode ser chamado de uma empresa familiar voltada à conquista e à manutenção do poder no seio da própria família. Mas não para implementar um projeto de desenvolvimento do Brasil, e sim para que todos, sobretudo o patriarca, pudessem viver à custa do Estado.

O bolsonarismo nunca foi uma visão de país, que dirá uma plataforma de governo. […]

Sem o nome de Jair Bolsonaro nas urnas, o que resta é essa briga interna por seu espólio político. Michelle, uma espécie de Lady Macbeth da Casa de Bolsonaro, dá sinais de querer trilhar uma carreira política autônoma, ainda que negue publicamente essa intenção. Flávio é pré-candidato à Presidência da República. Outros filhos de Bolsonaro têm suas próprias pretensões eleitorais. […]

O bolsonarismo só sobrevive porque o antipetismo é uma força real e legítima na sociedade brasileira, e Bolsonaro soube como nenhum outro político se apresentar como o candidato anti-Lula.

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