A história registra trocas de correspondências variadas, magistrais, emocionantes, educativas. Mas não as trocadas entre Flávio Bolsonaro e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que escancaram subserviência, entreguismo e alta traição ao Brasil.
Estamos cansados de saber que a família Bolsonaro sempre pede socorro ao presidente norte-americano Donald Trump e ao secretário Marco Rubio quando o sapato lhes aperta os calos. Não é de agora. Em 2017, Jair prestou continência à bandeira e a assessores estadunidenses ainda antes de ser candidato. Nunca escondeu a sua fidelidade, submissão e amor aos Estados Unidos. A contabilidade do “filme” Dark Horse, sobre o presidiário inelegível, mostra os recursos milionários enviados àquele país, alimentados pelo Banco Master, que, por sua vez, se alimentava de recursos públicos. O ex-deputado foragido Eduardo se homizia lá e, também de lá, junto com o irmão Flávio, conspirou para a aplicação de tarifas e toda sorte de sanções ao Brasil e a autoridades brasileiras.
Mas acharam pouco. Agora, diante do derretimento nas pesquisas, da iminente volta de Jair para a Papudinha, dos rolos cada vez mais evidentes com o tal “filme” — a Polícia Federal já anunciou três inquéritos, incluindo um contra a produtora Karina Ferreira da Gama, por ligações com um integrante do PCC — e do racha público na família — transitaram das rachadinhas para um rachadão —, o que faz o mais velho, que pleiteia o mais alto cargo da República? Oferece ao governo Trump o protagonismo em uma eventual e improvável vitória eleitoral.
Flávio Bolsonaro serve a soberania brasileira a uma nação estrangeira. Descobrimos essa alta e historicamente inédita traição à pátria na carta-resposta de Marco Rubio à correspondência do candidato que derrete.
Em meio a críticas a práticas brasileiras que os Estados Unidos consideram contrárias a seus interesses, como “comércio digital, pagamentos eletrônicos (leia-se Pix), tarifas, propriedade intelectual, combate à corrupção e desmatamento”, o documento encerra com o flagrante da traição. Diz o secretário de Estado norte-americano: “Nós notamos o seu entusiasmo a respeito das eleições de outubro e a sua oferta generosa de colocar uma equipe de transição à nossa disposição, caso você seja eleito.” (grifos meus).
É isso que Flávio Bolsonaro pretende? Ele ofereceu fazer uma transição do governo da República Federativa do Brasil sob o comando dos Estados Unidos, como se fôssemos um quintal, um apêndice que se pode extirpar?
Isso é mais do que vassalagem, é mais do que submissão. Isso é altíssima traição, intolerável, inadmissível, que merece prisão preventiva e abertura imediata de inquérito.
Dá horror pensar quais os planos dessa gente para o Brasil. Temos que impedi-los na lei e no voto.
Por Reimont Otoni
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