Constrangimento em Washington: setor privado reage à participação de Flávio Bolsonaro em evento nos EUA contra o Brasil

Constrangimento em Washington: setor privado reage à participação de Flávio Bolsonaro em evento nos EUA contra o Brasil

A participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma audiência pública nos Estados Unidos sobre as tarifas propostas contra produtos brasileiros provocou críticas entre representantes do setor privado que acompanharam o encontro.

Segundo empresários ouvidos pelo jornal O Estado de S. Paulo, a manifestação do parlamentar destoou do caráter técnico da consulta conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). A avaliação foi de que o senador levou temas da disputa política brasileira para uma discussão sobre comércio internacional.

A audiência ocorreu em Washington e faz parte de uma investigação aberta pelo governo americano sobre supostas práticas comerciais do Brasil. O processo pode resultar na aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos.

Durante sua participação, Flávio Bolsonaro concentrou sua fala em temas como regulação das redes sociais, acusações de corrupção no Brasil e o sistema de pagamentos Pix. Para integrantes do setor privado, os assuntos ficaram distantes do foco econômico da audiência.

Um representante empresarial classificou a atuação do senador como “deslocada” do ambiente técnico do encontro. Outros interlocutores avaliaram que a participação causou constrangimento por associar uma consulta comercial a uma agenda eleitoral.

Em documento enviado ao USTR antes da audiência, Flávio Bolsonaro também defendeu maior participação de empresas estrangeiras no mercado brasileiro de cartões de crédito e pediu que o Pix não fosse integrado a sistemas de pagamento ligados aos países do Brics.

O governo brasileiro criticou a postura do senador e afirmou que houve um “claro objetivo eleitoreiro” na manifestação. O resultado final da investigação comercial ainda depende da conclusão das consultas realizadas pelo órgão americano.

O procedimento do USTR teve início após acusações de Washington contra o Brasil, que incluem alegações de práticas consideradas desleais no comércio e questionamentos envolvendo o Pix. O governo brasileiro nega irregularidades.

A participação do senador ocorreu em meio ao cenário eleitoral de 2026. Pesquisas recentes divulgadas pelo instituto Atlas/Bloomberg mostram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente em simulações de primeiro e segundo turno, com Flávio Bolsonaro aparecendo como principal nome do campo bolsonarista. As informações são da Fórum

Veja também

Zé Adriano é o 4º maior gastador da cota parlamentar do Brasil em 2026

Zé Adriano é o 4º maior gastador da cota parlamentar do Brasil em 2026

O deputado acreano José Adriano (PP), gastou R$ 356.380,87 de janeiro a julho de 2026. …