O analista político Jeferson Miola criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nesta semana, em entrevista ao programa Giro das Onze, após o envolvimento do parlamentar em escândalos financeiros e pela atuação do pré-candidato à Presidência da República junto ao governo Donald Trump (EUA), com o objetivo de estimular sanções contra o Brasil por causa da condenação de Jair Bolsonaro (PL) pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos de prisão no inquérito da trama golpista.
“Se fosse uma realidade de um país menos distópico […] ele sequer seria candidato”, disse Miola na TV 247 durante entrevista em que o analista também comentou os recentes conflitos entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o parlamentar.
Segundo o colunista, existe uma fragmentação no campo conservador que muda o ambiente eleitoral, mas não garante vantagem definitiva ao campo progressista. “É evidente que as condições se alteraram e o favoritismo eleitoral do Lula foi recuperado”, disse. “Mas ele não nos autoriza a ter salto alto e imaginar que tá tudo resolvido”.
Conforme o analista, a base conservadora mantém influência relevante no eleitorado. “Apesar desses megaescândalos e dos efeitos devastadores que eles possam produzir, a perda do Flávio Bolsonaro foi mínima”, afirmou.
Outro ponto destacado foi a mudança ideológica dentro do bolsonarismo, com maior aproximação de setores religiosos. “Ela adiciona a esse movimento dois componentes, que é o do fundamentalismo religioso”, afirmou. Na visão do analista, isso pode redefinir o perfil político da direita brasileira.
Miola concluiu que o cenário segue aberto e competitivo. “Salto alto é um veneno”, afirmou.
Atuações de Jair e Michelle Bolsonaro
Na entrevista ao 247, o analista apontou limitações na atuação política de Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar. “Ele já está com limitações consideráveis para operar politicamente”, declarou.
Na avaliação feita pelo comentarista, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro assumiu papel central na reorganização do grupo. “Quem está tomando isso é quem tem mais proximidade com ele, que é a Michele”, disse. Miola acrescentou que ela antecipa movimentos estratégicos: “ela antecipou o cenário”.
Em 24 de junho, Michelle Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais, afirmando ter sido “apunhalada e humilhada” por Flávio Bolsonaro em meio a divergências políticas dentro do PL. O episódio expôs a crise na extrema direita em pleno ano eleitoral.
Novos escândalos envolvendo Flávio Bolsonaro

- Mansões
Novos escândalos envolvendo o senador repercutiram esta semana. Um deles envolve a compra de uma mansão de R$ 14,5 milhões no Lago Sul, bairro nobre de Brasília (DF). O imóvel teria sido registrado em nome de José Vicente Santini, advogado e coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Planalto.
A negociação teria incluído uma entrada de R$ 4 milhões e um financiamento de R$ 10,5 milhões pelo Banco de Brasília (BRB). A instituição bancária foi alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura um esquema de fraudes financeiras com participação do Banco Master e movimentação estimada em ao menos R$ 12 bilhões.
Outro escândalo envolvendo o nome de Flávio Bolsonaro se refere a um imóvel avaliado em R$ 10 milhões, na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ). O caso também ganhou repercussão após manifestação do atacante Richarlison nas redes sociais. Atualmente, o esportista joga no Tottenham, da Inglaterra, e também atuou pela seleção brasileira na Copa do Mundo de 2022.
Ao comentar um vídeo sobre o imóvel, o atacante disse ter gasto “em torno de 10 milhões de reais” na propriedade e afirmou que “simplesmente me tomaram”. Na sequência, Richarlison marcou o senador Flávio Bolsonaro em sua publicação.
O processo judicial não coloca Richarlison e Flávio Bolsonaro em lados opostos, formalmente. A disputa envolve a Sport 70, empresa ligada ao jogador e ao seu então empresário, Renato Rocha Velasco, contra a WT Administração, empresa do advogado Willer Tomaz, amigo do parlamentar. O episódio veio a público em setembro de 2022, em reportagem do Metrópoles.
- Dark Horse
O senador já vinha enfrentando dificuldades de apoio político devido aos escândalos envolvendo o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, pois Flávio Bolsonaro negociou com o empresário um financiamento de R$ 134 milhões para investir no filme Dark Horse, retrato biográfico de Jair Bolsonaro. Do valor total, R$ 61 milhões teriam sido repassados.
O próprio presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, confirmou que o senador teve um encontro com o ex-banqueiro. Atualmente, Vorcaro está preso após ser alvo da Operação Compliance Zero.
- Agressões à soberania brasileira
Outra polêmica que gerou indignação contra Flávio Bolsonaro foi o documento enviado pelo senador ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O parlamentar defendeu mais espaço para empresas estrangeiras, especialmente dos Estados Unidos, no mercado de cartões de crédito.
Em sua manifestação, o senador também se posicionou a favor de acordos comerciais fora do Mercosul e sugeriu que o Pix não seja integrado aos sistemas de pagamento dos BRICS, bloco sediado na China e visto como uma das principais articulações internacionais de contestação à hegemonia dos EUA.
Intenções de voto

Ao menos 49,6% dos brasileiros aprovam o governo do presidente Lula (PT), enquanto 47,7% desaprovam a gestão, segundo a pesquisa Futura/Apex divulgada em 16 de junho. O levantamento ouviu 2.000 pessoas entre 8 e 12 de junho, tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais, nível de confiança de 95% e registro no TSE sob o protocolo BR-01461/2026.
A disputa presidencial também aparece em cenários testados pela Atlas/Bloomberg. Na simulação de primeiro turno, Lula chegou a 46,3%, seguido por Flávio Bolsonaro (36,6%). Renan Santos, presidente do partido Missão e fundador do MBL, aparece na terceira posição (7,8%).
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) conseguiu 2,9%; o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) teve 2%; e o ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa (DC), 1%.
Outros pré-candidatos registraram menos de 1%: deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), a vice-presidente nacional da Unidade Popular, Samara Martins (UP), o escritor e psiquiatra Augusto Cury (Avante), o ex-deputado e bombeiro Cabo Daciolo (Mobiliza), e o jornalista Rui Costa Pimenta (PCO), presidente nacional do Partido da Causa Operária.
Também foram citados Edmilson Costa (PCB), economista, professor universitário e secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro, e Hertz Dias (PSTU), professor, rapper e ativista do movimento negro. Ambos registraram 0% no cenário apresentado pela Atlas/Bloomberg. Brancos e nulos somaram 1,1%, e 0,1% dos entrevistados afirmaram não saber em quem votariam.
Nas simulações de segundo turno, Lula aparece à frente de todos os adversários testados. Contra Flávio Bolsonaro, o petista marca 48,8%, ante 42,3% do senador do PL.
O presidente Lula também superou Ronaldo Caiado por 48% a 39%, Romeu Zema por 48,2% a 38,5%, Renan Santos por 49,2% a 28,9%, Michelle Bolsonaro por 48,7% a 38,9% e Jair Bolsonaro por 48,6% a 43,1%.
A pesquisa Atlas/Bloomberg ouviu 4.999 eleitores entre 26 e 30 de junho. A margem de erro é de 1 ponto percentual, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-04582/2026.
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