Se não bastasse a abertura de operações do DEA por aqui, será aberto espaço oficial para a CIA sentar à mesa?
A proposição da formação de uma equipe de transição de governo, com a participação dos Estados Unidos, feita por determinado candidato, é uma completa aberração e descaramento.
Bem sabemos que a “res-pública” (coisa pública) nunca se completou nesse país ao sul do Equador, mas, desde 1889, lutamos por fazer o processo ascendente. Hoje, porém, perplexos, vemos o processo caminhar para trás, devido à “esperteza” dos que vendem a pátria em troca de muitos trocados, forçando-me a abraçar um discurso nacionalista.
Como entender que milhões de brasileiros — que se dizem movidos por elevados valores — ofereçam seu voto a “vendilhões do templo”? Sim, aqui cabe uma passagem bíblica, tão presente no discurso daqueles que vendem nosso “templo” de riquezas mil.
Entreguistas sempre houve no Brasil, mas nunca — como agora — essa escolha foi tão cínica ou mostrou, de forma tão descarada, a busca de vantagens pecuniárias, quer pessoais quer “dinásticas”. Melhor dizendo, não há, nesse caso particular, nenhum verniz ideológico. Mais do que entrega, trata-se de “venda” e, como qualquer espécie de venda, a transação visa ao lucro.
E por que eles assim agem? Certamente porque encontram eco em milhões de brasileiros que lhes entregam seu voto — e se tornam corresponsáveis. Alguns desses participarão do botim, mas a imensa maioria, não.
Por que estão dispostos a fazê-lo? Embora eu tenha uma explicação teórica, deixo para cada um responder. Se, cognitiva e teoricamente, posso analisar a escolha, não posso aceitá-la, pois não se trata de um jogo democrático, mas de uma determinada postura frente a uma ordem internacional em mudança, na qual a potência de maior poder bélico luta por conservar a América Latina como seu “quintal particular”.
Por que assim escrevo se as escolhas de parte do eleitorado já estão postas? Certamente porque continuo a ser otimista e esperançosa. E mais: porque, como professora de História, continuo a acreditar que as palavras têm alma, como dizia Confúcio, e que têm poder para despertar “belas adormecidas” de seus devaneios.
Meu voto, mais uma vez, será em Lula. Não porque seja PT — o que não sou —, mas porque me considero uma brasileira disposta a resistir ao entreguismo em prol da defesa de um Brasil livre e soberano, capaz de forjar cidadãos e cidadãs críticos e conscientes.
Rio de Janeiro, 27 de junho de 2026
Lená Menezes
Publicado por Chico Teixeira
Acre in Foco – Cobertura das Últimas Notícias do Acre Acre in Foco traz as últimas notícias do Acre, com cobertura atualizada sobre política, segurança, saúde, cultura e eventos locais. Fique por dentro de tudo
