Acordos de Isaac: a aliança apoiada por Flávio Bolsonaro para ligar Brasil a Israel

Acordos de Isaac: a aliança apoiada por Flávio Bolsonaro para ligar Brasil a Israel

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está na Argentina, onde participa de uma conferência internacional voltada ao fortalecimento das relações entre Israel e países da América Latina.

O encontro, organizado pela Fundação Aliados de Israel em parceria com a Amigos Americanos dos Acordos de Isaac, reúne cerca de 20 parlamentares de diferentes países e busca ampliar a cooperação política, econômica e de segurança na região.

Durante o evento, Flávio defendeu que o Brasil passe a integrar os chamados Acordos de Isaac, iniciativa liderada pelo presidente argentino, Javier Milei, em conjunto com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e inspirada nos Acordos de Abraão, firmados durante o governo de Donald Trump.

Segundo o senador, caso a direita volte ao poder no Brasil, uma das prioridades será restabelecer uma aproximação diplomática plena com Israel. Flávio afirmou que pretende transferir a embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém, retomando uma promessa feita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Hoje, na prática, não existe uma relação diplomática plena entre Brasil e Israel. O Brasil está sem embaixador em Israel desde 2024”, declarou.

Além da conferência, Flávio tem encontro marcado nesta segunda-feira (29) com o presidente argentino Javier Milei, na residência oficial da Quinta de Olivos. O evento será encerrado na terça-feira (30) e tem como objetivo fortalecer a cooperação parlamentar entre países latino-americanos e ampliar o apoio político a Israel.

O que são os acordos de Isaac

Os Acordos de Isaac representam uma nova iniciativa diplomática que pretende aproximar Israel dos países da América Latina por meio de uma ampla agenda de cooperação. O projeto busca reproduzir, no continente latino-americano, o modelo dos Acordos de Abraão, que normalizaram as relações entre Israel e diversos países árabes.

A proposta prevê uma parceria baseada em cinco pilares principais:

  • ampliação do comércio e dos investimentos;
  • cooperação em tecnologia e inovação;
  • intercâmbio científico, educacional e cultural;
  • ações conjuntas na área de segurança;
  • coordenação no combate ao terrorismo, ao antissemitismo e ao crime organizado.

Os bastidores da iniciativa contam com o apoio da organização sem fins lucrativos americana American Friends of the Isaac Accords e financiamento da Genesis Prize Foundation. Os primeiros países identificados como potenciais participantes, além da Argentina, são Uruguai, Panamá e Costa Rica.

Lançamento ocorre em meio à Guerra em Gaza

Os Acordos de Isaac são lançados em um contexto internacional delicado. A iniciativa surge enquanto Israel enfrenta protestos em diversos países por causa da guerra na Faixa de Gaza, descrita por críticos e por alguns governos como uma campanha de caráter genocida. Ao mesmo tempo, Israel enfrenta um crescente isolamento diplomático em boa parte do chamado Sul Global, incluindo diversos países da América Latina.

Nesse cenário, a proposta liderada por Milei busca ampliar a rede de aliados de Israel na região e consolidar um bloco de cooperação política, econômica e estratégica.

Influência dos Estados Unidos

Embora os Estados Unidos não integrem formalmente os Acordos de Isaac, sua influência é evidente. O projeto segue a mesma lógica dos Acordos de Abraão, considerados uma das principais iniciativas diplomáticas do governo Donald Trump no Oriente Médio.

A proximidade entre Milei e Trump também reforça a percepção de que a iniciativa pretende reunir governos alinhados aos interesses estratégicos dos Estados Unidos e de Israel.

Flávio elogia cooperação em segurança

Durante sua participação na conferência, Flávio Bolsonaro também elogiou o programa Escudo das Américas, apoiado pelos Estados Unidos em parceria com governos latino-americanos para ampliar o combate ao crime organizado.

O senador criticou ainda o governo brasileiro após os Estados Unidos classificarem, em maio, o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. Segundo ele, enquanto outros países fortalecem a cooperação internacional na área de segurança, o Brasil teria seguido caminho oposto ao pedir a revisão da medida. As informações são do DCM

 

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