Filhos de imigrantes levam os Estados Unidos às oitavas da Copa

Filhos de imigrantes levam os Estados Unidos às oitavas da Copa

Os Estados Unidos se classificaram para as oitavas de final da Copa do Mundo nesta quarta-feira (01) com vitória sobre a Bósnia-Herzegovina, no estádio da Área da Baía de San Francisco, em uma partida decidida por Folarin Balogun e Malik Tillman, dois jogadores com trajetórias marcadas pela imigração.

Balogun teve um gol anulado aos 14 minutos do primeiro tempo, após driblar um zagueiro e bater rasteiro de esquerda. Aos 45, repetiu a jogada em lance válido, finalizou entre as pernas do goleiro Vasilj e comemorou com gesto inspirado em LeBron James, batendo no peito e pedindo silêncio à torcida.

O atacante acabou expulso aos 18 minutos do segundo tempo, depois de disputar uma dividida com Muharemovic e pisar no tornozelo do defensor. O árbitro brasileiro Rafael Claus mostrou o cartão vermelho, mas a seleção americana conseguiu controlar a partida mesmo com um jogador a menos.

Tillman garantiu a classificação aos 36 minutos da etapa final, em cobrança de falta por cima da barreira. Com o resultado, os Estados Unidos enfrentarão a Bélgica na segunda-feira (06), no estádio de Seattle, por uma vaga nas quartas de final.

As trajetórias de Balogun e Tillman antes da seleção americana

Balogun nasceu em Nova York em 2001 porque sua mãe, Florence, grávida de sete meses, não pôde embarcar de volta para Londres durante uma viagem de férias. A família retornou ao Reino Unido menos de dois meses depois, já com o bebê de passaporte americano. “Mesmo quando ele nem estava pensando em tomar uma decisão sobre seleção, eu já havia decidido: ele vai jogar pela América”, disse Florence antes do início da Copa.

O atacante cresceu em Londres, entrou na base do Arsenal aos oito anos e chegou a defender as seleções de base da Inglaterra, com sete gols em 13 jogos pelo sub-21. Depois de atuar por Reims e Monaco, com 13 gols em 30 partidas na última temporada da Ligue 1, pediu à Fifa em 2023 o registro para jogar pelos Estados Unidos, abrindo mão de defender Inglaterra ou Nigéria no futebol internacional.

Em coletiva nesta semana, Balogun disse que vê sua história como parte da própria identidade. “Sinto que tudo aconteceu dessa forma por um motivo, é inexplicável o quão especial e única é a minha história. Tenho muito orgulho de ser americano. Estamos na Copa do Mundo, essa é uma oportunidade para os torcedores me conhecerem melhor”, afirmou. Na estreia contra o Paraguai, ele já havia se tornado o primeiro jogador dos Estados Unidos desde 1930 a marcar dois gols em uma mesma partida de Copa do Mundo.

Tillman nasceu em Nuremberg, na Alemanha, filho de um militar americano, passou pela base do Bayern de Munique e defendeu a seleção sub-21 alemã antes de escolher os Estados Unidos em 2022. “Na Alemanha, acho que não estaria com a seleção nos próximos dois anos. Aqui, vejo minha chance”, disse na época. Depois, atuou pelo Rangers, foi eleito jovem jogador do ano pela PFA Scotland, passou pelo PSV Eindhoven, conquistou dois títulos holandeses e chegou ao Bayer Leverkusen em 2025 por cerca de 35 milhões de euros.

O protagonismo dos dois ocorreu um dia depois de a Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitar um decreto assinado pelo presidente Donald Trump que tentava negar cidadania a filhos de turistas ou imigrantes em situação irregular nascidos no país. A decisão manteve a interpretação constitucional de que pessoas nascidas em território americano, com exceções limitadas, têm direito à cidadania, regra que permitiu a Balogun vestir a camisa da seleção. Com informações do DCM

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