O Brasil e o México são os dois maiores países da América Latina; A afinidade entre os dois presidentes é o equilíbrio na onda da extrema-direita
A videoconferência realizada entre os presidentes Lula e Claudia Sheinbaum, na noite de quinta-feira, foi definida por ela, em suas redes sociais, como “muito boa”. Como a própria presidenta comentou, os dois conversaram sobre a colaboração entre a Petrobras e a Pemex, a petroleira estatal mexicana, a principal do México, sobre o andar das duas economias, com geração de postos de trabalho e inclusão social. Para Lula, os dois países podem construir uma “América Latina mais forte e unida”.
Extrema-direita
O diálogo entre Lula e Sheinbaum correu poucos dias depois do encontro entre o chanceler mexicano Roberto Velasco e o presidente brasileiro em Brasília, no âmbito da chamada VI Reunião da Comissão Binacional Brasil-México. E, principalmente, num momento em que presidentes eleitos da extrema-direita na região intensificam os laços políticos e militares com o governo Trump, dos Estados Unidos. De acordo com agências internacionais de notícias, o secretário de Defesa e Guerra, Pete Hegseth, planeja atacar “em terra” traficantes de drogas na América Latina, como já fez em águas internacionais em frente a dois países vizinhos do Brasil, a Venezuela e a Colômbia. Recentemente, 19 governos da América Latina, incluindo a Argentina, governada por Milei, fecharam acordo político-ideológico-estratégico com o governo Trump.
Bramex e o destino
Com a eleição presidencial no Brasil, em outubro, e com a eleição legislativa nos Estados Unidos, em novembro, o destino das Américas (e a geopolítica mundial) vive um ano decisivo. O pêndulo regional e global pode ser definido nestas eleições. O termo ‘Bramex’, que nasceu no âmbito acadêmico e hoje é citado também em reuniões políticas e empresariais, parece ganhar mais combustível e importância agora e com a sintonia entre os presidentes Lula e Sheinbaum.
Popularidade e desafios da líder mexicana
A presidenta mexicana mantém a popularidade altíssima, que chega a cerca de 80%, dependendo da pesquisa de opinião, e ela costuma dizer que é preciso “cabeça fria” na hora de tomar decisões – ainda mais em tempos de Trump. Os Estados Unidos, vizinho do México, são o principal destino das exportações mexicanas. E ela mantém ‘cabeça fria’, mas, como contaram analistas mexicanos ao Brasil 247, as acusações dos EUA contra políticos do partido Morena, de Sheinbaum, passaram a ser um desafio maior em relação à sua paciência estratégica. Ela, porém, mantém, nas suas entrevistas diárias (‘las Mañaneras’) sua serenidade, seja quando condena o embargo contra Cuba, seja quando defende a soberania dos povos, o combate ao crime e ressalta a igualdade social. Agora, talvez mais que nunca, a presidenta olha ainda mais para o Brasil, governado por Lula.
ONU
Os dois governos, do chamado ‘Bramex’, têm atuado juntos na defesa da democracia latino-americana e na candidatura da ex-presidenta chilena Michelle Bachelet ao posto de secretária-geral das Nações Unidas (ONU), após o mandato do português António Guterres. Juntos, Lula e Scheinbaum entendem que Bachelet, como primeira mulher no posto, seria fundamental para a América Latina e em termos globais. Este é um dos vários tópicos que unem as preocupações e atenções dos dois líderes, especialmente em tempos de Trump e do crescimento da extrema-direita na nossa região.
Por Marcia Carmo
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