Magreza extrema como forma de domínio

Magreza extrema como forma de domínio

A quem interessa que as mulheres fiquem frágeis e fracas?

Vocês estão percebendo o retorno da magreza extrema (nas mulheres) como padrão de beleza? Não uma ou duas atrizes de Hollywood, mas várias, que já eram magras, estão esqueléticas: Demi Moore, Ariana Grande, Nicole Kidman, Emma Stone, Jenna Ortega e muitas outras. Nos anos 90 houve uma tendência absurda chamada “heroin chic”, as modelos tinham aparência de pessoas viciadas em heroína, mas eram “chiques”. Eu cobria moda naquela época, estava na primeira fila de todos os desfiles que importavam e as modelos mal conseguiam caminhar. Mulheres de mais de 1m70cm e com menos de 50kg. O pior eram as adolescente e jovens desenvolvendo transtornos alimentares para alcançar aquele ideal de “beleza”.

Em 2006, a modelo brasileira Ana Carolina Reston morreu aos 21 anos, vítima de complicações provocadas pela anorexia nervosa. Ela sabia que estava doente, mesmo com 46kg ainda se achava gorda e quando foi trabalhar no Japão precisou ser internada e voltar para o Brasil. Chegou a pesar 42kg. Por mais que tenha tentado terapia, acabou falecendo de insuficiência renal.

Já em 2010 a atriz e modelo francesa Isabelle Caro, apareceu em uma campanha publicitária para mostrar seu corpo anoréxico, ela já sabia que estava no fim e quis alertar as jovens modelos. Foi inspiração para pessoas procurarem tratamento, mas também para grupos que queriam atingir aquele nível de magreza extrema. Morreu aos 28 anos, pesando 27 kg. E voltando um pouco mais no tempo, temos Karen Carpenter, vocalista da famosa dupla Carpenters (ela e seu irmão). Karen morreu em 1983, aos 32 anos, vítima de insuficiência cardíaca, decorrente de sua luta contra a anorexia. O que nem todos sabem é que Karen Carpenter era uma excelente baterista, foi considerada a melhor do mundo em 1975, por voto popular da Revista Playboy, desbancando nomes como John Bonham, do Led Zepellin. Mas a indústria preferia a jovem bonita de voz suave na frente do palco, mesmo ela preferindo ficar ao fundo, com suas baquetas. Após a morte de Karen Carpenter houve uma mudança de padrão e os anos 1980 foram marcados por modelos menos magras, com aparência saudável a alguns músculos definidos. Talvez a autonomia feminina daquela década e a aprovação de corpos femininos saudáveis não tenha agradado à indústria da moda e, aos poucos, veio a tal tendência heroin chic.

Por: Adriana Mendes

 

 

 

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