É preciso ter lado na luta contra o fascismo que está em disputa no Supremo

É preciso ter lado na luta contra o fascismo que está em disputa no Supremo

A tomada do Supremo é conhecida bandeira dos golpistas interessados em derrubar a República de 1988 para impor seu domínio total

A disputa no Supremo Tribunal Federal tem dois lados. Um tem os ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin. No outro estão André Mendonça, Kassio Nunes Marques, Luís Fux e, a conferir hoje, Edson Fachin.

É preciso optar por um dos lados. Pelos personagens envolvidos, pela folha corrida de alguns, especialmente a dos governos Bolsonaro e Lula, não deveria existir dúvida.

É incrível que haja quem no campo progressista vacile e resista neste momento.

Há muito em jogo, a começar pela eleição de Lula, cujo nome está associado ao de Moraes pela história recente.

Diz muito o fato de que a ala de Moraes quer a revelação integral dos dados do celular apreendido de Vorcaro e que a ala de Mendonça e Fachin, a facção acusadora, tenha desconversado e atrasado o que pôde com o objetivo de cercear a defesa de Moraes.

Se as conversas entre Vorcaro e Moraes provam algo, por que os inquisidores relutaram em franquear aquilo que daria a confirmação definitiva aos argumentos de Mendonça?

É significativo que Mendonça tenha decapitado por um dia a Polícia Federal e causado o caos naquela instituição para evitar que a corporação revelasse a manipulação eleitoral que ele, Mendonça, fazia do caso Master e suas ligações com Flávio Bolsonaro.

Surpreende que a destituição da direção da PF tenha sido recebida com total passividade pelo ministro da Justiça. Foi preciso a coragem de Flávio Dino para dar um basta à insolência de Mendonça e restituir o órgão à normalidade.

Diz muito que a ala de Mendonça tenha intervindo na direção da Polícia Federal e causado o caos naquela instituição, diante da passividade do ministro da Justiça.

Se, no julgamento que supostamente ocorre nesta terça, Moraes e os ministros democratas forem derrotados, a consequência de sua desautorização acarretará um enorme retrocesso: quase certamente sobrevirá a progressiva anulação das sentenças contra os golpistas. A principal conquista dessa conjuntura tão disputada será revertida, para alegria inclusive de parcelas da esquerda que consideram que houve um exagero nas condenações dos que tramaram o assassinato de Lula e outros crimes, e que Moraes e o Supremo restringiram as liberdades.

Diante da evidente manipulação eleitoral por Mendonça e Fachin, é no mínimo estranho que parcelas equivocadas da esquerda se coloquem em cima do muro, na mesma atitude da mídia lavajatista, denominando o episódio como uma “crise” do STF, sem assumir uma posição, rendendo-se a falsas equivalências, submetendo a necessária tomada de posição política a preconceitos moralistas de “saneamento do mar de lama político”, ou seja, rendendo-se a atalhos tipicamente pequeno-burgueses. Não é hora de qualquer ambiguidade. Não se deve fazer qualquer concessão, associando-se à mesma posição “neutra” da mídia lavajatista, e até do bolsonarismo em sua campanha contra o STF. A República não está em frangalhos como querem impor esses indignados arautos da crise permanente.

Entende-se que o presidente Lula, em sua campanha, evite escolher lados por razões de óbvia conveniência e pela prioridade do momento eleitoral. O mesmo não vale para todas as forças políticas democráticas, especialmente as mais comprometidas, às quais não cabe assumir uma posição oportunista, que abra mão dos princípios da luta em aliança e da defesa de instituições em disputa. A tomada do Supremo é conhecida bandeira dos golpistas interessados em derrubar a República de 1988 para impor seu domínio total. Só os irresponsáveis aceitam pôr em risco essas conquistas em troca de pruridos e fantasmagorias, bradando em nome da pureza das instituições burguesas.

A questão moral não pode ser o fiel da balança, numa reincursão no lavajatismo que já contaminou e uniu alguns de nossos esquerdistas ao processo que veio dar no golpe contra Dilma.

Mesmo que se queira operar na faixa do moralismo, como igualar Moraes, que só é julgado porque ousou punir os golpistas assassinos, com um verme escolhido especialmente para proteger um candidato do crime organizado e um banqueiro mafioso, responsável por fraudes bilionárias?

No que é mais relevante, a atuação democrática, o combate ao fascismo distingue Moraes como um herói da história brasileira. Ele, ao lado dos mesmos Zanin, Dino, Gilmar e Cármen Lúcia. E estes tiveram que derrotar os mesmos Fux, Mendonça, Fachin e Kassio.

Como subir no muro, diante da trágica farsa, do teatro forçado de que se mais uma vez está diante de mais uma “escolha muito difícil”.

Como podem ainda haver entre os apoiadores de Lula quem se finja de inocente e brade pela queda da ordem jurídica da Constituição de 88 sob a desculpa de que ela serve aos ricos, quando existe uma evidente disputa interna às instituições a cada instância e a cada momento, como se nota no STF recentemente e mesmo no Senado pelo avanço inesperado da tramitação do fim da jornada 6×1.

Como advogar pelo fim dessa ordem, quando é certo que, se ela cair, será substituída por algo muito mais atrasado, impondo recuos muito mais devastadores em todos os terrenos? Está em jogo neste processo também a Constituição de 88 e, infelizmente, a doença infantil do esquerdismo, mais uma vez na história aliada ao udenismo lavajatista, diante do precipício, abstém-se da análise concreta da situação concreta, abre mão da precedência da política, e sugere aos democratas um passo adiante.

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